Quem sou eu - Nasci em São Paulo, e adotei Curitiba desde criança, pois adoro esta cidade.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

UM SONHO DA NOVA REPÚBLICA

Tancredo Neves é eleito


Quando Tancredo Neves foi eleito em 15 de janeiro de 1985. Eleição indireta. A partir desse momento,  o Brasil vestiu-se de esperança e toda a população brasileira começou a desenhar as suas expectativas sonhadas durante décadas. Talvez relembrando a época de Juscelino Kubistchek, ou de outros tempos, quando haviam depositado esperança para com novos dias.
A verdade que Tancredo representava um novo Brasil, jamais imaginado. Era um novo período, uma nova História que marcaria para sempre a realização do “País do Futuro”.
Era chegada a hora! A euforia era estampada no rosto de cada cidadão! Era como uma Nação que precisava  limpar a sua própria casa, tirar o pó da ditadura, varrer a sujeira dos porões das torturas e da censura. Quem sabe até dar nova pintura às paredes corroídas de desesperanças. Tudo para esperar os primeiros dias dos novos dias.

Foi com esse espírito que um jornalista e escritor, cearense, João Ciro Saraiva de Oliveira (falecido em 27/06/2015), que estava à frente da Secretaria de Comunicação do Estado do Ceará, idealizou um encontro de secretários de comunicação do Brasil para discutir novos conceitos de comunicação social, uma vez que os governadores, tinham sido recém-eleitos (1983), de forma direta, após 20 anos de eleições indiretas.
O objetivo era dar nova imagem a linguagem dos releases outrora palacianos e impositivos. Transformar esse importante canal informativo do governo para população, expondo as atividades executivas e os resultados dos atos e ações promovidas pelo governo e não mais pelo governador e sua equipe. Era uma proposta para o fim do personalismo e da imposição de notícias fabricadas e induzidas à imprensa.  
O I Encontro de Secretários de Comunicação Social, foi realizado em Fortaleza, em julho de 1984, com a participação de representantes de 17 estados brasileiros.

Revivendo um pouco de História

Vamos imaginar esse período transitório da ditadura para a democracia. Em 1979, assume o General João Baptista de Oliveira Figueiredo, o último presidente do período militar, sucessor do General Ernesto Geisel (Presidente de 1974 a 1979).  
O Presidente Figueiredo deu continuidade a abertura política que havia sido iniciada no governo anterior. No entanto, foi no seu governo que houve o atentado a bomba no Riocentro e atentados terroristas ao PMDB e à OAB, todos de origem da extrema direita do Exército.    Apesar de ter orientado o Senado para a rejeição das “Diretas Já”, o Presidente Figueiredo promoveu a extinção do bipartidarismo e a eleição direta para governadores, em 1983. Essa eleição marca o começo do fim do período ditatorial. No entanto, a eleição para Presidente da República, continuaria pelo sistema indireto. No dia 15 de janeiro de 1985, foi eleito pelo Colégio Eleitoral (Senado e Câmara) o senhor TANCREDO DE ALMEIDA NEVES, com 480 votos contra 180 votos dados a Paulo Maluf (este candidato do governo).
Com essa última eleição de voto indireto realizada no Brasil, encerra-se o período da ditadura militar. O Presidente João Figueiredo, atesta o encerramento com a seguinte frase histórica:
- “Bom, o povo, o povão que poderá me escutar, será talvez os 70% de brasileiros que estão apoiando o Tancredo. Então desejo que eles tenham razão, que o doutor Tancredo consiga fazer um bom governo para eles. E que me esqueçam".

A posse do Doutor Tancredo Neves, assim era chamado, na Presidência da República, seria no dia 15 de março de 1985.
Tudo era feito com muito cuidado, para que Tancredo assumisse a Presidência. O Brasil se preparava para uma grande festa. Autoridades do mundo inteiro já se encontravam no solo brasileiro.
Na véspera de sua posse, adoece e é hospitalizado...
            A população freneticamente fica com os olhos grudados na televisão – querem uma notícia de esperança.
Incertezas, medos, desconfianças e esperança. O Brasil para!

O II Encontro de Secretários de Comunicação Social


No meio destas incertezas, vivia-se a esperança de que Tancredo sobreviveria.
            Essa certeza dá o aval ao Secretário de Comunicação Social do Paraná, para que o II Encontro de Secretários de Comunicação Social fosse realizado. O Secretário de Estado da Comunicação Social do Paraná,  Luiz Alberto Dalcanale, entendia que agindo assim estaria não só acreditando na recuperação do Presidente eleito, como também estaria colaborando com propostas a uma nova visão do relacionamento imprensa, governo e população. Pois participariam daquele Encontro além dos Secretários de Comunicação de todos os Estados brasileiros, como também alguns dos principais jornalistas da imprensa nacional.
Sob a esperança de novos tempos e sob a égide da Nova República, foi realizado o II Encontro de Secretários de Comunicação Social, nos dias 23 a 28  de março de 1985, na cidade de Foz do Iguaçu.

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A partir desta semana, estarei publicando, neste blog, em forma de capítulos, os anais do 
II Encontro de Secretários de Comunicação Social.
Entendo que assim o fazendo, recuperamos parte de uma História que não pode ser apagada, pois é um momento onde a LIBERDADE DE IMPRENSA é focada de maneira transparente e torna-se um legado, pois era um sonho que até então jamais aconteceria. A “Carta de Foz do Iguaçu”, propositura e resumo do evento assinado pelos participantes, dá a certeza de “Um Sonho da Nova República.  

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O FRIO CURITIBANO

Anoiteceu e eu caminhando nos caminhos da noite.
Olho as estrelas, que sorriem,
Mas se calam no silêncio frio das calçadas curitibanas.
Não há vultos e as árvores parecem esqueletos dançantes
Ao ritmo do vento cortante e gélido.
As almas estão escondidas e as palavras nem mais sussurram...
A solidão é a única companheira dos passos apressados, sem destino, sem rumo.
As luzes dos postes se envolvem numa neblina
E se transformam em lamparinas do passado,
Que mal iluminam a sombra, arqueada pelo sobretudo corroído pelo tempo.
Escuto ao longe os sinos de uma igreja,
Cujas badaladas ecoam ao nada e nada é a esperança.
Mais uma travessia, numa desunião de calçadas, 
Separadas pela rua de pedras. 
Rua ligando dois pontos infinitos perdidos na imensidão do lugar nenhum.
Chego ao tempo onde não queria chegar.
Encorajo-me e subo os degraus rangentes.
São três, donde imagino uma escadaria de cem.
A porta me detém. Torço e retorço imóvel empurra-me ao desdém.
Venço-a e desmaio no sono que temia em acordar.
Novamente reviro e um acolchoado acaricia o corpo,
Durmo suavemente, sem o frio do pesadelo gelado!


AO SAIR DE CASA, LEVE UM AGASALHO EXTRA,
COM CERTEZA ENCONTRARÁ ALGUÉM QUE ESTEJA NECESSITANDO. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

"O PRIMEIRO TEXTO A GENTE NUNCA ESQUECE!"

Sentado confortavelmente numa poltrona giratória, frente a minha máquina de escrever Olivetti Linea 98, meu orgulho, invejado por muitos, que adquiri com muito trabalho. Noites adentro, datilografando textos, crônicas e, linhas e linhas para o meu editor.

Só eu sei que quando começava a datilografar,  

e "puft" o pensamento não saia como queria
e lá ia o papel para o lixo.
E, começava tudo de novo...escrevia,
amassava o papel e jogava
na cesta de lixo.
Há um momento, que parece tudo dar certo!
É um repente, e o texto realmente era aquilo que se tinha imaginado.
Agora, era a vez das correções, assinala aqui, acola, faltou um ponto, uma vírgula, a palavra saiu errada. Arruma aqui, faz-se as correções com lápis e pronto, a correção está feita!
Coloca o papel em branco na máquina de escrever e com as pontas dos dedos datilografa-se, novamente, o texto tinindo, sem nenhum erro, do jeito que tinha-se imaginado.
Agora não pode ter mais nada, nenhuma correção, senão, melhor nem pensar, porque vai “pro” lixo de novo. 
Enfim, a matéria ficou pronta, várias folhas bem datilografadas – e pensar que esta palavra um dia irá sair do vocabulário...
Reviso novamente. Tudo pronto. Arrumo as folhas datilografadas e coloco-as ao lado da máquina de escrever Olivetti Linea 98.
Respiro! Mereço um café, ora se mereço!
Perco-me nos pensamentos e vou à cozinha preparar o café. 
Fico imaginando o editor, esparramado naquela poltrona de couro preta, desgastada pelo tempo, com chiados a cada seu movimento, no meio de pilhas de papeis sobre a mesa, folheando cada página do meu texto.
Fico pensando naquele ar com cheiro de charuto disputando o aroma de um café frio esquecido numa caneca de louça, azul, com uma gravação em vermelho: "O Chefe Tem Sempre Razão". 
A lembrança fez com que continuasse meus devaneios. Estava satisfeito com o meu trabalho e pretendia entrega-lo ainda pela manhã e dessa forma poderei desfrutar o resto do dia. 
Talvez, passando numa confeitaria, onde degustaria um delicioso café colonial, com uma torta alemã e gostosos petiscos.
Enfim meu café ficou pronto. Peguei a xícara com ele bem quente, saí da cozinha e fui calmamente andando em direção ao escritório. Assobiando e feliz!
Já bem próximo da escrivaninha, tropecei... O café voou da xícara e aterrissou-se sobre aqueles, exatamente, os meus escritos.

Num sobressalto levantei-me.
E aos poucos fui me situando do que havia acontecido.
Voltei meu pensamento ao passado, quando exatamente havia acontecido o mesmo acidente: tropecei naquele mesmo tapete, o café que havia acabado de fazer, voou sobre o meu trabalho. Acabou com ele! 
Quase enlouqueci!
Em cima da escrivaninha, já não estava mais a minha Olivetti Linea 98, mas o meu “Laptop” conectado a uma impressora.
Respirei! E, a primeira coisa que fiz, foi me desfazer o velho tapete, jogando-o fora.
Limpei os estragos e arremessei os papeis ao lixo.  
Fui até a cozinha coloquei o café na xícara e retornei ao escritório calmamente.
Sentei-me na minha velha poltrona e acionei “Control P” para reimprimir o trabalho.


Tomei meu café... 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

AO MEU PAI

Uma Homenagem ao Dia dos Pais

Anoitecia,
Poderia ser um dia comum, mas trazia
Nos ponteiros das horas a trágica cena,
Marcada pelo tempo, desde nos meus
 10 anos.  
Dali, daquela varanda, como um espião,
Ou talvez uma testemunha,
Olhava entre lagrimas, o que pouco entendia,
Os passos pequenos, cabisbaixos do meu pai.
Com ele, uma pequena mala, surrada,
Meu pai e eu, tendo ao fundo nossa casa em Santo Amaro (SP)
Levava consigo a vida, atravessando a rua,
Os anseios, o passado e sem futuro.
Rompia os elos de uma corrente
Que outrora ligava as mãos daquele homem,
Que tantas vezes sentia afagar os meus cabelos.
Distanciava o criador da criatura!
Histórias eram contadas,
Algumas ao pé do ouvido,
Outras de aventuras ou de fatos,
Que poderiam ou não ter acontecido.
Correram anos, semanas e dias,
Passaram-se pelos conflitos da adolescência,
Das primeiras  experiências de adulto,
E do ser pai também!
Agora, já não mais naquela varanda,
O via com cabelos brancos, a fronte envelhecida,
Os sinais de doença e,
Sobre seus ombros pesava ainda aquela travessia.
Não percebia, a não ser a idade que nele se via.
Assim, na solidão dos seus dias, deixou-nos...
Agora de vez, libertado das correntes que trazia.

Passados mais tempo do que com ele vivi,
No silêncio do meu eu e olhando o espaço,
O encontrei vagando em meu coração.
Palavras me faltaram, solucei e chorei,
O que nunca tinha chorado.
Queria tê-lo ali comigo...
Olhar seus olhos e sentir sua mão me afagando.
Voltei à varanda do passado,
Ali pedi perdão e soluçando gritei:

“Pai como eu te amo e amei!”

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Homenagem à minha mãe

Este texto fiz para a abertura do livro de poesias que minha mãe escreveu e que foi publicado quando ela fez 80 anos pela minha irmã Eliana. A capa do livro foi desenhada pela minha irmã Teresa Cristina.





A Porteira


                                                                                  "toda a história deve ser preservada, não para ficarmos ligados ao
passado, mas como referência da
 construção de nosso futuro"



Deparo-me com uma porteira de ferro, escuro e com alguns desenhos sem grande significado. Um portão, diriam alguns, mas aquele era diferente.
Grande, como todo portão que nos move à curiosidade de saber o que há por trás dele.
Para mim, uma porteira, de duas folhas, que cada uma delas seguravam um muro.  mas, Suas portas se entreabriam  e me mostravam imagens em meio a uma neblina.
Era mais do que um convite.
Entrei!
O céu estava azul, o calor daquele verão estava forte. Escutava alguns pipocar de fogos - alguém falou que eram romeiros retardatários que ainda comemoravam a festa da Nossa Senhora do Rocio.
Estava em Paranaguá.
De onde encontrava-me, via através da janela, um senhor que fumava um cigarro após outro. Ao mesmo tempo olhava incessantemente para o seu relógio.
Era o Doutor Roberto Barrozo, tradicional advogado de Paranaguá e que naquele momento atendia seu último cliente.
Mal o consultante transpassou o portão, um corre-corre se fez sentir naquela casa: uma menina acabava de nascer.
Nasceu Nize Barrozo, naquele dia 14 de janeiro de 1924. Uma bela tarde de verão!
Nize, a filha, era o segundo rebento do casal Roberto Barrozo e Nelly Lobo Regnier Barrozo, tradicional família parnaguarense.
A casa, em que residiam, ficava na praça proxima a Igreja Nossa Senhora do Rocio e dividia com outras casas de estilo colonial, as árvores frutíferas e de sombra, os muros e os pássaros. 
Na frente do casarão, a porteira de ferro escuro, aquela mesma que havia me transportado para o passado e me transformado numa sentinela de uma história viva e cheia de amor.

Sem entender, fitava aquele portão entreaberto, mostrando nuvens difusas aonde se desenrolavam uma porção de imagens, como num filme.

Nize, criança, desfrutava da liberdade e disputava com os pássaros os espaços dos muros e das árvores. Ao mesmo tempo corria com seus  irmãos: Roberto e Ronel, este, um ano mais novo que ela.
O correr da menina era o caos para o ilustre jurisconsulto!
Num dado momento, a porteira rangeu, o silêncio se fez presente e as cores sumiram. Daquele portão ecoou a notícia da morte da mãe da menina, que agora tinha dez anos.
Este fato triste, incompreensível, irá marcar a trajetória da vida da Nize.

As nuvens se apressam, a porteira se fecha e a cidade de Paranaguá, vai ficando ao longe. O Doutor Barrozo havia decidido mudar-se para Curitiba.

Uma nova casa, novos ares e aventuras. O sobrado de esquina, marcava as épocas dos barões do mate e da madeira, que haviam escolhido os arredores pouco acima do conhecido Passeio Público. Era a rua Duque de Caxias.
A nova moradia era suntuosa para os tempos de política do Dr. Barrozo.
E pelo pequeno portão do casario, passavam as primeiras amizades e os primeiros olhares furtivos de um coração que se preparava para os romances da juventude.

Nize passava por transformações, ora era menina-moça, ora era moça-menina.

Cida, sua amiga inseparável, a acompanhava junto com outras tantas moças, vestidas com o tradicional uniforme escuro da Escola Normal.

A família Barrozo era composta pelo Doutor Barrozo, sua segunda esposa, Diva e os filhos Roberto, Nize, Ronel, Nory, Ruy e Nely. Nely filha do segundo casamento, que havia ocorrido ainda em Paranaguá.

A casa da Duque de Caxias, reservaria um acontecimento trágico, a morte de Aires Alberto, o caçula da família.

O tempo de tantas novidades, de senhorinha à moça, trazia no seu bojo os sonhos, as poesias, os risos, os valsetes e namoricos.

Nize, a cada momento da sua vida, gravava-os em seus escritos no seu caderno de memórias ou em delicados sonetos.

A transformação de Nize já a separava dos tempos de Paranaguá.
A Serra do Mar riscada pela graciosidade dos caminhos da Estrada da Graciosa e pelo traçado arrojado da estrada de ferro simbolizava esse distanciamento.

E a senhorita Nize, desposa a mercê da Providência e do Destino, o senhor Edgard Prugner.
Um jovem maduro, reservado na sua forma de ser, porém portador das melhores referências de parentes e conhecidos mais próximos da família Barrozo.
Era um moço da cidade grande de São Paulo.

O casório de pompas da época, cercado de amigos e familiares, marcava, mais uma vez, uma profunda mudança. São Paulo era muito mais distante....

A noite fria tradicional do inverno curitibano, a insegurança de um futuro novo, totalmente desconhecido e o deixar da família e amigos, fazem-na acompanhar com pequenas lágrimas,  os primeiros movimentos do trem, em direção a uma cidade estranha e à uma nova vida.

O apito do trem ecoa como um grito. A porteira de ferro fecha-se. A infância transforma-se no passado, acolhida carinhosamente pela senhora Nize Barrozo Prugner.

O trem avança célere, mas sem pressa de chegar. Da chaminé a fumaça branca joga imagens para o ar: era casa de dona Lina, a primeira da nova cidade aonde foi morar.
De vezes visita a Gegê, sua prima e comadre de todas as horas. Alguns encontros com novos parentes. Morar numa pensão era uma aventura sem igual. São Paulo realmente era uma cidade diferente.

No seu Diário, assim ficou escrito: " sinto alguma coisa dentro de mim".
Nize estava grávida. O ano de 1945 terminava.

A década de 50, começa alvissareira. Nize, Edgard e os dois filhos, Eduardo e Tereza Cristina, estão em casa nova. 

O tempo continua na sua corrida. Santo Amaro, aquele bairro distante, que acolhia bucolicamente, aquela casa, cresce com ares de cidade moderna.

As amizades surgem: Leonídia disputa com algumas vizinhas a amiga Nize.

Chega a Eliana. Agora são três filhos.

Pintura, tênis e poesia.

Os escritos acompanham-na à tantas cidades. Saudades, mudanças e o tempo que passa....

Oitenta anos!

Brinda o mar de Santos, na beleza do entardecer, colorindo a água de dourado e fazendo com que o céu se perca no horizonte.
Este cenário invade a janela do apartamento da Nize, que toca o piano para que as notas musicais acolham os navios chegantes ao porto.

Antes criança do porto. Agora senhora do porto.
Antes Paranaguá, agora Santos.

São nas letras deste livro que estão gravadas a esperança, o sonho e a vida.

“A porteira  permance aberta, pois com certeza,
há muitas história de vida ainda para contar”.



Eduardo Barrozo Prugner, em 15 de dezembro de 2003.




quinta-feira, 26 de maio de 2016

A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL




O Impeachment
Inegavelmente,  o impeachment da presidente Dilma não foi um golpe,  mesmo em que algumas conversas anteriores tenham sinalizado a destituição da presidente em favor do seu vice.
Mas a verdade, é que o próprio PT não pode negar que a indicação da então ministra Dilma ao cargo maior da República,  fazia parte de um plano do Lula, para retomar o poder, após o primeiro mandato da presidente.  
Dilma não se fez de rogada, não ouviu as palavras do ex-presidente e muito menos deu atenção aos seus reclames. Teimosamente, afastou os companheiros de Lula, que desfrutavam de alguns cargos palacianos e deu continuidade a sua reeleição,  cometendo e acumulando os mais infames erros políticos. Na primeira eleição, em 2010, Dilma teve 55.752.529 votos, representando 56,05 % dos eleitores contra  os 43,95%  dado a candidato Serra (2º turno). Já na segunda eleição, em 2014, a desconfiança do eleitor na presidente, fica demonstrada com os resultados do 2º turno quando foi reeleita com 51,64% dos votos contra 48,35% dos votos dados a Aécio, com uma pequena diferença de 3 milhões e meio de votos. Não fosse novamente, o Lula, no final da campanha, com certeza os resultados seriam outro. 
Logo nos primeiros meses do novo mandato, vem a tona e a confirmação de que a presidente mentiu os números da economia, que fizera falsas promessas durante a campanha e mostrou-se incapaz de coordenar as forças políticas e manter diálogos com as suas lideranças.  Ficou claro também,  a sua incompetência administrativa, que já vinha demonstrando no primeiro mandato e acentuou no segundo, levando o Brasil ao fundo do poço. Somado as essas qualificações pouco recomendáveis, emerge na operação  “Lava Jato” as falcatruas havidas na Petrobrás que levou esta empresa às portas da inadimplência.
O descontentamento político, somado às manifestações populares e os resultados negativos e declinantes da economia brasileira, direcionou a um único caminho: o impeachment.
Na política existe a oportunidade e o oportunismo. Havia um desejo de oportunismo do grupo do vice-presidente em assumir a Presidência.  Fatos esses desenhado em algumas ocasiões. Prova disso, foi a divulgação do programa de governo lançado pelo PMDB - o presidente do Partido é o vice Michel Temer - em outubro de 2015, denominado “Uma Ponte para o Futuro”. Este documento, delineava a reestruturação da economia brasileira e viabilizava o desenvolvimento nacional. Tem como sequela o rompimento da presidente com o seu vice. 
A presidente Dilma, teimosamente, mantém a sua política desastrosa e dessa forma cria a "oportunidade".  Assim a somatória do oportunismo e da oportunidade concretiza o impeachment.
Temer assume o governo e tudo levava a crer que a administração seria um “céu de brigadeiro”.  Primeiros nomes de sua equipe, aplaudido pelo mercado e pelos políticos.
Mas, nem tudo seria como o imaginável!

A República do “Déjà vu”
Mal foi dado os primeiros passos da República, fez-se a instabilidade política no Brasil. Marechal Deodoro da Fonseca, foi o primeiro presidente, após a Proclamação da República. Teve início o governo provisório, reorganizando o poder e a estrutura do governo, adequando-o ao novo regime, após os 70 anos da Monarquia. 
Em dois anos de República, há um golpe de estado e é decretado estado de sítio. O congresso é fechado.
As novas medidas  ocasionaram uma série de conflitos, principalmente, entre os militares e estas manifestações são acusadas de conspiratórias ao regime e de monarquistas. É implantada a censura devido a indisposição do governo com a imprensa.  Deodoro as chamava de “antirrepublicanas”.  O governo do primeiro presidente se mostra
demasiadamente autoritário, no entanto forma o Congresso Nacional Constituinte para aprovar a primeira Constituição da República do Brasil. 
Crise financeira e política. Deodoro fecha o Congresso e dá um golpe de estado. No final de 1891, renuncia e assume o seu vice, Marechal Floriano Peixoto.
Essas primeiras linhas relatando, resumidamente,  o início da República, nos dá a sensação de que “déjá vu” da política brasileira. 
Entre dificuldades econômicas, conflitos sociais e crises políticas, sucedem-se os presidentes eleitos até 1930, quando novamente há um conflito institucional e acontece a Revolução de 1930 liderada por Getúlio Vargas. Início da Ditadura de Vargas e fim da chamada Primeira República.
Entre crises, revoltas e golpes a era Vargas vai até 1945. Nesse período  foi criado o DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão de censura do getulismo.  Getúlio foi deposto e em seguida houveram eleições,  marcada pela vitória do General Eurico Gaspar Dutra.
Segue a chamada Quarta República ou ainda a República Populista, também envolvida com crises políticas e econômicas. Entre os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubistchek, Jânio Quadros, Jango Goulart e Revolução de 1964.  A Nova República inicia-se em 1985.

Coincidências a parte
Getúlio Vargas, que havia sido deposto pela sua aproximação com o partido comunista, é eleito em 1950, para governar o País em 5 anos.  Não conseguiu formar a bancada política no Senado para apoiar suas ideias nacionalistas (1ª. Coincidência).
Vargas cria a PETROBRÁS – com o slogan “O Petróleo é Nosso” (Petrobrás é a 2ª. Coincidência).
A criação de diversas empresas estatais (CSN, Petrobrás, Eletrobrás, IBC, etc) – o nacionalismo exacerbado,  cria um conflito entre o empresariado brasileiro, o aumento do salário mínimo em 100% , o aumento da oposição tendo a frente o jornalista Carlos Lacerda fazem aumentar a crise política ( empresários  e  imprensa - 3ª. Coincidência).
Seu vice-presidente, café Filho, une-se aos opositores ao governo pedindo a renúncia de Getúlio Vargas ( 4ª. Coincidência).
O final do governo de Getúlio Vargas é conhecido por todos.
Quando se fala de coincidências é porque a repetição dos fatos que acontecem no dia a dia da história da política brasileira, já inaugurado nos primeiros momentos da República,  é tão evidente, que poderíamos imaginar os próximos acontecimentos, ou as próxima crises. Inicia-se sempre com conflitos políticos, que se somam às questões econômicas e que resultam no término brusco de um governo. Normalmente, a crise sucede a um período de grandes conquistas ou de um excelente desenvolvimento. 
O círculo virtuoso se repete das "vacas gordas" às "vacas magras". 

Conclusão 
Infelizmente, parece que somos herdeiros de uma praga que não nos deixa evoluirmos para um patamar superior. Para um país desenvolvido, não só no aspecto econômico e financeiro, mas também na cultura e no desenvolvimento social e científico.  
Já atingimos a quinta economia no mundo, demonstramos a nossa competência em desenvolvimento, mas não sabemos ir à frente e retrocedemos. 
Hoje, apesar de estarmos no fundo do poço e vivermos uma crise econômica e política talvez nunca vista, estamos entre as 15 maiores economias do planeta, mas ...
no entanto, estamos no terceiro mundo, repetindo os nossos erros e a nossa história política. 
Talvez possa surgir uma esperança, afinal, somos o país do futuro e um dia esse futuro virá!












domingo, 22 de maio de 2016

Nasce um blogueiro

O primeiro texto a gente nunca esquece!

Nos idos tempos da máquina de escrever...
Começava-se a datilografar e "puft" um pensamento não saía como queria e lá ia o papel para o lixo. E, começava tudo de novo...escrevia, amassava o papel e jogava na cesta de lixo... Até que, de repente, tudo estava certo, o texto realmente era aquilo que tinha imaginado. Agora, era a vez das correções, assinala aqui, acolá, faltou um ponto, uma virgula, a palavra saiu errada, etc. 
Está corrigido! Volta-se para a máquina de escrever e com as pontas dos dedos datilografa-se, novamente, o texto. Agora não pode ter mais nenhum erro, senão, lixo de novo. 
Enfim, a matéria ficou pronta, várias folhas bem datilografadas (aliás estou usando esta palavra, pois logo estará em total desuso e esquecimento), margeadas e sem, sem nenhum erro.
Coloco-as ao lado da máquina de escrever. Mereço um café, ora se mereço!
...

Me perco nos pensamentos e vou à cozinha preparar o café. 
Fico imaginando o editor, esparramado naquela poltrona de couro preta, desgastada pelo tempo, com chiados a cada movimento seu, no meio de pilhas de papel sobre a mesa. Sem contar aquele ar com cheiro de charuto disputando o aroma de um café frio depositado numa caneca de louça, azul, salientada por uma gravação em vermelho: "o chefe tem sempre razão". 
Estava satisfeito com o meu novo trabalho e vou entrega-lo ainda pela manhã e dessa forma poderei desfrutar o resto do dia. 
Talvez, já comemorando, passarei numa confeitaria, onde degustarei um delicioso café colonial, com uma torta alemã e gostosos petiscos. Peguei a xícara de café, bem quente, saí da cozinha e fui calmamente andando em direção ao escritório. Assobiando e feliz!
Já bem próximo da escrivaninha, tropecei... O café voou da xícara e aterrizou-se sobre os meus escritos.
Voltei meu pensamento ao passado, quando exatamente aconteceu o mesmo acidente, tropecei naquele mesmo tapete, o café acabou com o meu trabalho. 
Quase enlouqueci!
Hoje, não cheguei a ficar tão louco da vida, vou perder um pouco mais de tempo e reimprimir tudo de novo. 
Depois de me desfazer do tapete velho, jogando-o no lixo, voltei ao meu computador, dando os devidos comandos para a reimpressão.

Tomei meu café...