Quem sou eu - Nasci em São Paulo, e adotei Curitiba desde criança, pois adoro esta cidade.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Dia do Amigo (20/07)

Meus  Amigos
Curitiba recebeu-me em 1961.
Vinha de São Paulo,
Tinha primos, mas amigos, quem os seria?
Mas, o destino sempre nos surpreende!
Surge nos bancos escolares,
Do Colégio Santa Maria, 
Episódios mais marcantes da minha vida:  
Conheci os meus amigos!
Poucos é bem verdade, 
Mas que me acompanham até hoje, 
Assim o serão até o final dos tempos!

Saudação, Felicitações, Abraços....
Quero muito mais.
Vou ao Infinito buscar a inspiração,
Para homenagear, para brindar...
Castelos os construirei em sonhos,
Mas, Sonhos não os poderei, nem mesmo imaginar
Pois são seus, e como tal, só você poderá os sonhar.
Sonhos...
Ah! Até que muitos deles acompanhei!
Hoje, o que posso desejar 
É que tenha os mais belos sonhos,
Que a imaginação possa criar.
E desejo mais, meus grandes amigos,
Em forma de uma oração silenciosa, mas poderosa:
- Que estes teus sonhos sejam sempre realizados!
Agora sim , posso brindar a tua vida,
Dar-lhe um grande abraço,
Desejar-lhe muitas Felicidades .
Pois este é o seu dia: o Dia do Amigo!

Obrigado amigos por vocês existirem!


terça-feira, 19 de julho de 2016

Um Jornalista e a Comunicação Social



João Ciro Saraiva de Oliveira  
Ciro Saraiva, como era conhecido, começou cedo no jornalismo. Aos 15 anos já escrevia para o jornal O Estado. Sua paixão era o futebol e em Fortaleza, logo se tornou um radialista desportista atuando nas rádios Ceará Rádio Clube, Dragão do Mar e Uirapuru. 
Alegre, comunicativo adorava o carnaval e por duas vezes foi Rei Momo, em Fortaleza. Aproveitava-se dessa sua alegoria para provocar os políticos da época, principalmente seus desafetos.
Como jornalista aproximou-se da política tendo exercido o cargo de Secretário de Estado de Comunicação Social nos governos de Manoel de Castro e Gonzaga da Mota e ainda participou no Governo de Tasso Jereissati.
Gostava da política, mas era um combatente aos desmandos e a exploração, pelos políticos, da seca nordestina.
Poeta e articulista escreveu muito sobre as agruras do sertanejo e da miserabilidade provocada pela seca.
Em 2011 lançou o livro “Nos Tempos dos Coronéis” que relata fatos da política cearense durante o Regime Militar e casos de 1960 a 1986. O livro teve duas sequências, “Antes dos Coronéis” e “Depois dos Coronéis”. A trilogia narrou fatos marcantes da história cearense nos últimos 55 anos.
A eleição de um novo Presidente da República, e tudo levava a crer que seria Tancredo Neves, abria a expectativa da liberdade de imprensa e portanto novas relações da imprensa com os governos.
Os Tempos em que Ciro Saraiva viveu de perto, na imprensa e na política, muitas vezes cercado pelas paredes palacianas, fez com que idealizasse o 1º Encontro de Secretários de Comunicação Social, em Fortaleza, em junho de 1984. Com a eleição de Tancredo incentiva a realização do II Encontro, no Paraná. Assim se expressaria Ciro Saraiva na abertura do II Encontro de Secretários de Comunicação Social: 

 "Por ocasião do nosso I Encontro realizado em julho do ano passado, em Fortaleza, dizíamos que, apesar de sua relevância, o setor de Comunicação Social foi sempre omitido do planejamento oficial, dando-lhe, paradoxalmente, contornos de atividade marginal ou secundária na formulação das estratégias governamentais.

Não caberia aqui examinar se esse fenômeno se deve à antiga conceituação de que o Governo e Imprensa sempre estiveram em posições antagônicas. Para muitos administradores – e isso ainda hoje ocorre – os repórteres estão sempre contra eles. Recentemente, li uma declaração de um Secretário de Estado norte-americano, de que os jornalistas estão sempre procurando noticiar algo que vai estragar as coisas.

Sem pretensões ao pioneirismo, mas consciente da importância da Comunicação Social, o governador Gonzaga Mota, do meu Estado, preocupou-se em contribuir para resgatar essa situação. E ao lançar um programa específico para sua Secretaria, decidiu tratar a Comunicação Social como um investimento de natureza e retornos sociais. Como estimulador da vontade coletiva para a consecução dos grandes objetivos governamentais, como via de mão dupla: informando as tendências e o comportamento do público. Também fornecendo indicadores para os necessários realinhamentos, alterando Governo e Povo nas posições de emissor e receptor.

O Encontro de fortaleza, realizado com a participação de 17 Estados, serviu, sobretudo, para uma tomada de consciência sobre alguns problemas que nos desafiam. Somos todos profissionais prestando serviços, eventualmente, ao Governo. 

A exata noção da circunstanciabilidade dessa situação nos conduz a necessidade de fazermos o melhor, de contribuirmos, de algum modo, para o aperfeiçoamento dessa difícil. atividade. 

Da correta aplicação dos recursos disponíveis à livre manifestação dos veículos e da necessidade de se dar às campanhas publicitárias um cunho educativo, informativo e social; 
A recomendação de acordos operacionais entre as Secretarias, sem esquecer o problema do “release” e a delicada situação do jornalista que trabalha para o Governo e para a iniciativa privada ao mesmo tempo - foram os temas abordados e discutidos. 
Não diríamos que foi detidamente examinado. Para sermos sinceros, os temas propostos tiveram uma apreciação, diríamos epidérmica. O que, de nenhum modo, invalida o esforço realizado, porque aquela era a primeira vez em que nos reuníamos, diferentemente do que vem ocorrendo, sistematicamente com os Secretários de outras áreas.

Estou convencido da necessidade de aprofundarmos esse debate. Não há dúvida de que ele nos dará uma visão mais ampla da realidade. Cada um tem aqui uma experiência pessoal a testemunhar e a partir dela, todos poderão contribuir para a fixação de diretrizes. 
Parece-me construtivo saber como se comportam, por exemplo, meus companheiros do Paraná e do Piauí, a respeito de um problema semelhante que enfrento no Ceará.
Este II Encontro é uma outra oportunidade que temos para isso. E seria incorreto, de nossa parte, esquecer que essa nova oportunidade se deve a clarividência do Secretário Dalcanale, apoiado, naturalmente, no merecido prestígio que lhe dá o governador José Richa e no reconhecimento que aqui também se pratica a comunicação social.

Se Fortaleza já deu resultados, Foz do Iguaçu pode torná-los muito mais expressivos. 
Mas creio que a própria velocidade da comunicação e a importância que ela teve e terá no processo de mudança que ora vive o País, exigirá de nós uma postura mais firme e um ritmo mais trepidante. 
Por isso, penso – e aqui fica lançada a ideia – a criação de um Fórum de Secretários de Comunicação, com a participação de um determinado número de Secretários, aqui escolhidos, para se reunirem, digamos semestral ou trimestralmente, a exemplo do que já fazem titulares de outras pastas. 
Seria um órgão capaz de definir conceitos e estabelecer diretrizes a partir dos temas aqui levantados. Submeto aos companheiros, essa proposta, que poderá servir para o fortalecimento do setor, na verdade necessário ainda para assumir um papel da maior importância no contexto dos governos. Pediria para isso, que fosse constituída uma Comissão capaz de estudar a viabilidade da ideia, que, na verdade, não está pronta nem acabada, mas apenas esboçada".
  
JOÃO CIRO SARAIVA DE OLIVEIRA era natural de Quixadá, onde nasceu aos 23 de fevereiro de 1938, filho de Raimundo Cristino de Oliveira e de Amanda Saraiva de Oliveira. Atuou como radialista, jornalista e escritor. Faleceu em Fortaleza aos 78 anos de idade, no dia 27 de junho de 2015.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Os Anos Dourados II

Estávamos reunidos, no pequeno bar da esquina, final da tarde, ao som de um violão, curtindo Elis, entre acordes da Maisa, do Tom e Vinícius. Era o “dolce far niente” de um início de mais um final de semana primaveril. Troca de olhares, gestos carinhosos, querendo anunciar um novo romance e o sonho do sonhar puro, poético, do amanhã não sei fazendo o quê.
Entra, chorando forte e tremulo o nosso amigo João. Em sua mão, um papel, marcado por manchas de sangue e amassado, como um maço imprestável arremessado ao lixo.
Era contexto que ecoaria nos gritos de dor por anos, no derramamento do sangue dos gentios e maculando tantas famílias. 

Entrega-me e busco uma coragem de lá de dentro e começo a ler pausadamente a cada palavra:

Escrevo para que o tempo passe e a angústia diminua. Cada barulho é um sobressalto e minhas lembranças são invadidas pelo terror.
 É mais um dia que se passa e há mais de uma semana que estamos escondidos, eu, o Carlos, meu irmão gêmeo e o Robson.
Até ontem, Danilo nos trazia comida e água. Mas desde hora do almoço, não mais apareceu.
Estou com medo que algo tenha acontecido com ele.
Desde daquela reunião do diretório estudantil, que estamos
sendo seguidos. Danilo foi alertado e soube que outros companheiros foram presos e torturados. E a partir daí, ele vem despistando e tomando muito cuidado para nos trazer água e alguma coisa para comermos.
Temos que ficar escondido e não vejo a hora de fugir, atravessar a fronteira e chegar ao Chile.
Não sei como fazer, mas estou apavorado!
Engraçado estou começando a ficar com fome,  com sede e um mal pressentimento! Está escurecendo!
Opa, escuto um movimento, gritos e um barulho...
É  o Danilo que entra gritando, esfarrapado, empurrado por uma corja de ... mas o que é isso...uma rajada de metralhadora o derruba no chão. Carlos se levanta e é atingido... meu irmão, leva um tiro na cabeça.......
Cho.... é o nos........”

A noite se faz silêncio!
O ambiente enche de choro e lágrimas e a dor envolve-nos, os corações gritam e o papel, assinado em gotas de sangue, desaba no chão, como se acompanhasse o corpo do irmão do João, tombado pelas balas calando os sonhos de um jovem sonhador. 
Aquela carta como um testamento, havia surgido do nada na casa do João. Um único documento da morte dos irmãos, cujos corpos jamais foram encontrados.
Terminou a noite e desfez-se o sorriso delicioso da juventude.
Naquele instante, encerrava o conto de fadas.
Os anos dourados continuaram talvez, já não tão dourados. Havia um descompasso com o desconhecido.

Este foi o lado cruel de uma revolução que nasceu nos braços do povo contra os comunistas que também estavam matando.
Foram poucos ou foram muitos, mas a verdade é que acabaram roubando a alma dos meninos-crianças que queriam sonhar os outros sonhos das quais as canções queriam falar.
Talvez não foi tão dramático quanto as mortes que aconteceram nos outros países sul-americanos. 
Mas, a juventude que viveu na década de 70 começou a crescer marcada pelo silêncio, alguns pela dor e pelo medo. Isso as levou à alienação política. 
Não lhes foram permitidos mais reunirem-se para desenvolver as suas aptidões de liderança que brotavam nos centros acadêmicos. Era no desenvolvimento da política estudantil que germinavam os grandes líderes políticos.

Um crime foi cometido e tamanha foi a sua crueldade que destruiu gerações de jovens, que hoje poderiam ser os vanguardistas de uma nova política brasileira.
Tenho a certeza de que a consequência maior deste atentado aos jovens foi a manutenção dos atuais políticos, que manobraram o poder naquela época e hoje se posam como heróis, desfrutaram e desfrutam das benesses e beberam do cálice do sangue de todos os inocentes.  
E ainda hoje desfilam como poderosos e mantém-se no poder como se dele fossem donos.

Um reinado ditatorial sem alternância de novos pensadores!


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Os Anos Dourados I

O cenário era a avenida principal que dava ao centro executivo político de Curitiba.  A multidão se aglomerava ao longo daquela via, como uma serpente movimentando-se lentamente sobre o chão árido, negro, áspero do asfalto, símbolo do progresso e porque não da derrocada dos  naturalistas que por certo, apreciariam as pedras irregulares, excelente filtro das águas de chuva.   
Povoação como aquela, há muito não se via, ou melhor, nunca se tinha visto, a não ser quando do Congresso Eucarístico Nacional, em 1960.
Crianças se alvoroçavam sem entender o motivo daquela concentração. Presas às mãos de suas mães, que ali estavam com o mesmo entendimento de seus filhos.

Os homens pareciam soldados marchando para as batalhas de Dom Quixote, em meios a edifícios, monstros de concreto, cujas sombras pareciam garras querendo aterrorizar os pobres lanceiros, que buscavam a todo custo atacar os dragões ateus, ferozes, famintos e hediondos. Assim eles imaginavam os inimigos comunistas. 

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Ao mesmo tempo a Igreja Católica alertava que os “demônios vermelhos” estavam prontos para destruírem a sociedade cristianizada e para devorarem os seus nascituros. 
Todos, da pacata e crédula sociedade curitibana e de seus arredores, atenderam aos chamados dos padres e dos políticos, plantonistas de guarda da democracia brasileira, que usando da imprensa, intimidavam a que participassem da “marcha da família com Deus pela liberdade”. 



Manifestações semelhantes aconteceram em outros centros urbanos. Eram episódios que determinavam a posição dos brasileiros, principalmente da classe média, em relação ao “comunismo vermelho”, movimentos liderados pela Rússia e Cuba, assolava a Nação e aos seus cidadãos, que temiam a invasão em suas terras e até mesmo de perderem seus patrimônios residenciais. 

Esses movimentos acudiam aos contrários à ordem pública, provocados pelas organizações denominadas de esquerda, responsáveis pela introdução do culto ateu e materialista nos corações dos cristãos brasileiros. As figuras do chamado novo sindicalismo e da reforma agrária, com apoio do Presidente Jango, assustavam a população.
A propaganda maciça americana, somado as injunções comunistas e os atos de um governo que queria implantar o socialismo de esquerda no Brasil formalizou o chamamento do Exército para a defesa do povo da Mãe Pátria. Ação esta apoiada por quase todas as instituições brasileiras, incluindo OAB, Igreja, Partidos Políticos, Associações de Classes tanto as empresariais como a de empregados.

Este era o sinal dos tempos, além de um medo crescente de uma eclosão nuclear, produzida pela guerra fria entre as duas nações dominantes no planeta Terra (Estados Unidos e Rússia).

No dia 22 de outubro (1962), o presidente John Kennedy denunciou, em pronunciamento pela televisão, a existência dos mísseis russos na América Central. "Essas rampas não devem ter outro objetivo que o ataque nuclear contra o mundo ocidental", declarou.
Para ele, a transformação de Cuba em base estratégica, com a instalação de armas de destruição em massa, representava uma ameaça à paz e à segurança do continente americano. "Nem os Estados Unidos nem a comunidade internacional irão se iludir e aceitar esta ameaça", advertiu.
Ainda no mesmo dia, os EUA decretaram um bloqueio naval contra a ilha de Fidel Castro e deram um ultimato à URSS. Kennedy exigiu do chefe de Estado Nikita Khruchov o imediato desmonte das rampas, a retirada dos mísseis e a renúncia à instalação de novas armas ofensivas em Cuba. Washington advertiu também que, caso o bloqueio fracassasse, a ilha seria invadida.
ONU contorna ameaça de guerra
Qualquer transgressão do bloqueio por navios soviéticos poderia desencadear a guerra entre as duas potências atômicas. A Organização das Nações Unidas ofereceu-se para mediar. A crise foi administrada e acabou sendo contornada. No dia 28 de outubro, Khruchov cedeu à pressão norte-americana, retirando os mísseis e admitindo uma inspeção da ONU. (dos jornais da época)
........
Neste momento, a Rádio 100 colocava a música dos Incríveis e o locutor anunciava com grande estilo e colocava no ar: - “Era um Garoto que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stone”, e em seguida alardeava: - “em primeiro lugar: “As curvas da estrada de Santos”, de Roberto Carlos”.  
As músicas tinham o ritmo certo e deliciavam os ouvidos. Até hoje, exercem a magia de anestesiar os conflitos, causando prazeres indefinidos e nos levando a movimentos dançantes e saudosos, como se ainda fossemos os jovens de outrora. 
Os embalos aconteciam no sábado....



Os “Beatles” faziam o pano de fundo que engessavam a juventude em terninhos sem gola, cabelos compridos, porém bem penteados, que modelados pela música, embalavam-se no irrealismo de fadas e de inocência daqueles anos. 

A jovem guarda, ginasiana por excelência, curtia as poesias simples e românticas das notas musicais, entre namoricos bem comportados, nos portões da rua, onde a troca de beijinhos era uma permissividade consentida.
Tudo era “direitinho”, principalmente nos bailes de debutantes, quando as meninas faziam 15 anos.
Nos salões dos clubes, muito bem iluminado, as meninas-moças da classe média, desfilavam seus vestidos de branco  entre miçangas e paetês, sem falar em cabelos armados e provavelmente penteados por  “cabelereiros-arquitetos”. 
Bailavam ao som da valsa de debutantes nos braços de seus pais, que gentilmente as cediam, sob o olhar complacente das avós, aos garots vestidos de um terninho bem caído ao corpo, gravata fina, colorida, enfeitando sua camisa branca, isso quando não era uma gravata borboleta.  
No entanto, alienados aos problemas de seu País.
Os mais velhos, já universitários, vivendo nos centros urbanos, nas capitais tinham um comportamento mais arredio. Talvez, sentiam-se sufocados de não poderem se manifestar.

A classe universitária confrontava-se entre os ritmos das músicas importadas, roqueiras e a cadência colorida do tropicalismo e da bossa nova, que abriam espaço para um novo patamar à música brasileira. Ainda que sob a censura, cantarolavam  nos botecos, ao som de fumaças de cigarro e o dedilhar dos violões as melodias que gritavam pela liberdade.
A música brasileira era o compasso da contradição  e que de algum modo, nas entrelinhas, desafiavam os senhores coronéis e os criativos censores dessa época, que eram capazes de “ver” frases desafetas no próprio “Pai Nosso”.
Chico Buarque clamava “Pai, afasta de mim esse cálice...”, Gilberto Gil, girava a “Construção” e  Caetano caetaneava entre as vozes marcantes de Maria Betânia e Elis Regina.
Elis "Pimentinha" Regina e Jair Rodrigues

Essa juventude madura ainda era o resquício da liberdade de outrora. Anteriormente discutiam política nos centros acadêmicos, nas salas das Universidades, no meio às experiências de Química ou entre as equações indecifráveis da Matemática. Os de Direito eram os mais invasivos. Alguns representantes estudantis já estavam contaminados por ideias comunistas, outros sonhavam com novos tempos e outros buscavam as  reformas políticas.
Enfim discutia-se política, discutia-se o Brasil.
No entanto calaram a juventude, calaram a renovação da política brasileira, que até hoje convive com este maior pecado.

Os festivais da canção, nos auditórios da TV Record, criavam a arena das torcidas que deliciavam os neotelespectadores da telinha preta e branca, que dessa forma, podiam pelo menos extravasar suas opiniões.  
O futebol encenava o maior país da Terra e nas taças das Copas do Mundo, o ópio da vitória entorpecia a população: “P’rá Frente Brasil, salve a Seleção”!


Notícias? As mais sérias só a do Ibraim Sued, principal colunista social da imprensa tupiniquim e as receitas da cozinha brasileira. Estas figuravam como manchetes nas primeiras páginas dos principais jornais do Brasil, escondendo a vergonha da censura.
Condescendência da censura às reais notícias que aconteciam no País e no mundo. Eram proibidas de serem ventiladas ou comentadas. 

A cuba-libre, misturava Coca-Cola com rum, inundavam os saraus dançantes e a musica continuava como que dando cores àqueles cenários dourados, como nos palácios franceses, em festas, antes da “Bastilha”. 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Na Beira da Praia


            Estar na beira da praia,
            Sentado na areia só para contemplar.
            Fico olhando o vai vem das ondas do mar.
            Algumas são maiores,
Existem as pequenas naquela imensidão,
Outras vão mais além,
            Avançando na areia branca,
            Querendo a ela dominar.

            Envolvo-me nesta contemplação
            Reflito, penso e volto para dentro de mim.
            Embalo-me nas ondas, e vejo
O vai e vem de cada dia,
            Cada dia uma onda do mar,
           
            Algumas são vigorosas,
Trazem-nos a surpresa da vida.
Existem as menores,
Que nem percebemos seu passar.   
            Outras me afagam carinhosamente,
            Como que alisassem as areias brancas do mar.

            Por trás de cada onda,
Há uma força que ninguém vê.
            Sente-se o vento e a brisa,
            E o embalo de lá para cá.
            Descubro então,
            Que nos movemos pelas ondas,
            As ondas de nossas vidas.

            Que força que temos,
Que nasce dentro de nós,
Que determina os caminhos,
Para vencermos com determinação,
As ondas do nosso cada dia.

            Sorrio nessa reflexão,
Sentindo as maravilhas do meu interior,
Na construção do meu dia a dia, 
            Seja nas lutas e nas vitórias,
Recebendo e dando o amor,
Carinhosamente me abraço,                     
            Pois sei que cada dia,
            É como a onda do mar.
           
            Vou rolando na areia,
            Rindo, chorando e gritando.
            Até sentir as águas me molhando, 
Uma onda a me acariciar. 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A TEMPESTADE

Uma história de férias



A noite se despedia.
O sol se espreguiçava por trás da montanha, lançando seus raios amarelados para o céu que se azulava.
Assim mais uma vez, estava iniciando o espetáculo da aurora!

Os passarinhos se alvoroçavam entre as árvores, entoando melodias naturais ao acordar de um novo dia.
As árvores paralisadas, não mexiam uma só de suas folhas, para não sentir o arrepio do frio.  Perfiladas, pareciam soldados a querer proteger os verdes campos.
No entanto a brisa fria corria pelos gramados fazendo com que uma névoa delicadamente sobrevoasse os campos, que ainda adormeciam preguiçosamente.
Não demorou muito, o Sol, dominante, senhor de si, se fez presente, lançando seus raios dourados, que  trespassavam por entre galhos e folhagens, expulsando a bruma e deixando as cores do inverno sobressaírem-se.  
Podia-se sentir o aroma do café pairando no ar, misturado ao cheiro da madeira em brasa,  vinda das fumaças do fogão a lenha.
Um leve calor abrande o friozinho. É mais um dia típico do sertão brasileiro, com o gosto gostoso de férias.  

As Férias 
 Pedrinho foi até a janela, sonolento, pois acabara de acordar e ao ver aquele cenário, o sol, os campos que se espalhavam até o horizonte, deixou-se levar por mil pensamentos....
Era mais um dia de férias no sítio de seu avô, e tinha de aproveitá-lo da melhor forma possível.
No café, se cérebro maquinava e já desfiava suas pretensões.


- Mãeeeeeeee! Me dá o café logo, que quero ir jogar bola com o Zezinho, gritou eufórico o menino, complementando e depois vou até o riacho nadar um pouco.
Com certeza a mãe de Pedrinho não iria deixar as coisas correrem rápido demais. Primeiro quis lembrar-se de quem era o Zezinho, e depois faria uma porção de recomendações necessárias, como arrumar a cama e o quarto, escovar os dentes, etc. e finalizou:

-  Pera lá! No riacho não vai não, a água está fria e não quero você com dor de garganta.
-  E quem é mesmo o Zezinho, perguntou, distraidamente, a mãe.

Pedrinho, soltou aquela abafada bufada, que quase o fez perder suas diversões:
- Mãe, Zé é o filho do Bento, o caseiro e amigo do vô. Tô indo arrumar a cama e quarto...Depois vou...tomar cuidado!

O garoto tomou o café, e acabou se deliciando com um bolo de fubá. Quando deu por si, saiu apressado,  para o quarto, arrumou a cama, deu uma ajeitada no quarto, foi se arrumando, botando calção, chuteiras e “vapt-vupt”, já na porta,  saindo e desabalada carreira.
Se não fosse sua mãe, já estaria chutando a bola:

- Vá escovar os dentes e pentear seu cabelo. Não se esqueça de lavar o rosto. Foi dessa maneira, que o Pedrinho, viu que sua mãe estava atrasando as suas brincadeiras.
Pronto! E saiu numa pernada só!  

Assim foi passando as horas. Uma rápida parada para o almoço, engolindo tão ligeiro que se perguntássemos o que havia comido, com certeza não saberia responder.
Lá estava ele, de novo, jogando bola, correndo, subindo em árvores para pegar uma fruta. Essa delícia de comer uma mexerica na árvore, é muito mais gostoso.  E, ainda tinha tempo para correr atrás das galinhas. As gargalhadas ecoavam pelos campos e a alegria contaminava toda a paisagem do sítio.
Assim passou o dia, entre subidas de árvores, chupando mimosa, jogando bola e de vez em quando, indo até a cozinha para “roubar” uma fatia de bolo de fubá.

Uma leve brisa começou e convidou Pedrinho, já cansado pelas tantas atividades, a descansar embaixo de uma frondosa figueira.
Ficou olhando o  céu pintado de azul,  servia de fundo de palco para o balé  das aves, as vezes sozinhas, outras vezes em bandos que davam todo o ar da graça daquele momento.  
A brisa aumentou os sopros de vento fazendo movimentar as folhas das árvores. 
Pedrinho foi encostando a cabeça num tronco de uma raiz e deixou-se estirar sobre a relva. 

Olhava absorto para o azul celeste do céu, agora rabiscado por nichos brancos transformando-os nos mais imaginativos desenhos: ora pequenos carneiros, ora cavalos alados que saltitavam os maços de algodão branco.
O vento aumentava, mas o menino estava embalado na sua criatividade.
As nuvens já disputavam com o sol o espaço celestial, e se desenhavam em figuras maiores e mais agitadas. O branco foi dando lugar aos tons cinza.    




Não foi difícil construir um castelo de nuvens, com altas torres... e o garoto continuava dando asas ao imaginário: dragões viravam soldados, pipas, fadas, carros e carroças...! 



 Os raios de sol pintavam as nuvens brancas que contrastava com o anil, e dava contorno dourado as nuvens acinzentada.
O tempo estava mudando!  
Esse turbilhão espacial criava um cenário de cores imaginativas.  
Pedrinho estava mergulhado na sua inspiração e criava a esses movimentos, uma estória.
Vibrava! E, como um maestro, regia as suas concepções. 

Ele tomou das nuvens rosa, brancas e douradas e foi desenhando uma princesa.  Fantasiou delicadamente o seu rosto. Fez surgir-lhe sobre a cabeça uma coroa formada pelos raios de sol, cujos reflexos deram a existência de esvoaçantes cabelos dourados.
O vento aumentava e sua criação também e num repente foi quebrada pelo chamar de  sua mãe:

- Pedrinho! Pedrinho! Venha imediatamente para a casa. O céu está escurecendo e vamos ter um temporal! Corra!

O menino correu para casa, sob alguns pingos de chuva que já começavam a cair. Foi direto ao seu quarto. Deitou-se próximo à janela, numa grande e fofa almofada e novamente se entregou às suas criações e aventuras imaginárias. Fitava, admirado aquele céu escuro, tempestuoso.
As nuvens agora, mais agitadas, continuavam suas danças imaginativas naquele céu cinza e branco.
Pedrinho voltou à sua imaginação... e foi desenhando sua estória.

  Construindo uma estória de fadas

O céu escurecia cada vez mais e o castelo ia sumindo no movimento incessante das nuvens. Pedrinho sabia que a sua  princesa já havia entrado no castelo.
O menino desenhava nas nuvens cinzentas adornadas pelos raios dourados do sol, os Cavaleiros do Sol. Eram destemidos, armados de lanças e de escudos na cor do ouro, galopavam em cavalos brancos, rapidamente, em direção ao sol levantando uma poeira de chuvas que respingava na janela. 


Pedrinho se deliciava. A chuva aumentava e a tempestade formava nuvens escuras. Ouvia-se o ribombar de trovões. 

Pedrinho cria Os templários, cavaleiros que montavam em cavalos negros com olhos vermelhos e quando trotavam, as ferraduras de prata rasgavam as nuvens provocando explosões de relâmpagos e estrondos ensurdecedores.
Os Cavaleiros do Céu, montados nos seus cavalos brancos com grandes manchas cinzas  montavam guarda à porta do sol.
Os cavaleiros Templários, com seus negros cavalos avançam ferozmente contra os Cavaleiros do  Céu. 


As nuvens brancas, cinzentas e escuras se misturavam num movimento alucinante.
E, quase como um delírio, o menino continua a sua estória...

Ao se encontrarem, olham-se com ódio. Os seus cavalos eriçam seus pelos, bufam ferozmente e suas patas, com ferraduras de prata, rasgam as nuvens, iluminando o céu com rajadas de  relâmpagos.
Os destemidos cavaleiros desembainham as espadas e uma luta desembestada é iniciada.  A luta é mortal e as espadas cortam o céu.  As armaduras se chocam provocando raios que caem ao longe, rasgando o ar. 
Os cavaleiros do sol são mortalmente feridos com as espadas dos Templários e tombam nas negras nuvens desencantando em grossas gotas d’água que deságua sobre a terra, já molhada, numa chuva torrencial.  


Um raio corta o ceú, assustando Pedrinho.

Pedrinho adormece sob suas imaginações!
Talvez tenha dado às suas aventuras aos seus sonhos...

Mas, aí é outra história!