Quem sou eu - Nasci em São Paulo, e adotei Curitiba desde criança, pois adoro esta cidade.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Na Beira da Praia


            Estar na beira da praia,
            Sentado na areia só para contemplar.
            Fico olhando o vai vem das ondas do mar.
            Algumas são maiores,
Existem as pequenas naquela imensidão,
Outras vão mais além,
            Avançando na areia branca,
            Querendo a ela dominar.

            Envolvo-me nesta contemplação
            Reflito, penso e volto para dentro de mim.
            Embalo-me nas ondas, e vejo
O vai e vem de cada dia,
            Cada dia uma onda do mar,
           
            Algumas são vigorosas,
Trazem-nos a surpresa da vida.
Existem as menores,
Que nem percebemos seu passar.   
            Outras me afagam carinhosamente,
            Como que alisassem as areias brancas do mar.

            Por trás de cada onda,
Há uma força que ninguém vê.
            Sente-se o vento e a brisa,
            E o embalo de lá para cá.
            Descubro então,
            Que nos movemos pelas ondas,
            As ondas de nossas vidas.

            Que força que temos,
Que nasce dentro de nós,
Que determina os caminhos,
Para vencermos com determinação,
As ondas do nosso cada dia.

            Sorrio nessa reflexão,
Sentindo as maravilhas do meu interior,
Na construção do meu dia a dia, 
            Seja nas lutas e nas vitórias,
Recebendo e dando o amor,
Carinhosamente me abraço,                     
            Pois sei que cada dia,
            É como a onda do mar.
           
            Vou rolando na areia,
            Rindo, chorando e gritando.
            Até sentir as águas me molhando, 
Uma onda a me acariciar. 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A TEMPESTADE

Uma história de férias



A noite se despedia.
O sol se espreguiçava por trás da montanha, lançando seus raios amarelados para o céu que se azulava.
Assim mais uma vez, estava iniciando o espetáculo da aurora!

Os passarinhos se alvoroçavam entre as árvores, entoando melodias naturais ao acordar de um novo dia.
As árvores paralisadas, não mexiam uma só de suas folhas, para não sentir o arrepio do frio.  Perfiladas, pareciam soldados a querer proteger os verdes campos.
No entanto a brisa fria corria pelos gramados fazendo com que uma névoa delicadamente sobrevoasse os campos, que ainda adormeciam preguiçosamente.
Não demorou muito, o Sol, dominante, senhor de si, se fez presente, lançando seus raios dourados, que  trespassavam por entre galhos e folhagens, expulsando a bruma e deixando as cores do inverno sobressaírem-se.  
Podia-se sentir o aroma do café pairando no ar, misturado ao cheiro da madeira em brasa,  vinda das fumaças do fogão a lenha.
Um leve calor abrande o friozinho. É mais um dia típico do sertão brasileiro, com o gosto gostoso de férias.  

As Férias 
 Pedrinho foi até a janela, sonolento, pois acabara de acordar e ao ver aquele cenário, o sol, os campos que se espalhavam até o horizonte, deixou-se levar por mil pensamentos....
Era mais um dia de férias no sítio de seu avô, e tinha de aproveitá-lo da melhor forma possível.
No café, se cérebro maquinava e já desfiava suas pretensões.


- Mãeeeeeeee! Me dá o café logo, que quero ir jogar bola com o Zezinho, gritou eufórico o menino, complementando e depois vou até o riacho nadar um pouco.
Com certeza a mãe de Pedrinho não iria deixar as coisas correrem rápido demais. Primeiro quis lembrar-se de quem era o Zezinho, e depois faria uma porção de recomendações necessárias, como arrumar a cama e o quarto, escovar os dentes, etc. e finalizou:

-  Pera lá! No riacho não vai não, a água está fria e não quero você com dor de garganta.
-  E quem é mesmo o Zezinho, perguntou, distraidamente, a mãe.

Pedrinho, soltou aquela abafada bufada, que quase o fez perder suas diversões:
- Mãe, Zé é o filho do Bento, o caseiro e amigo do vô. Tô indo arrumar a cama e quarto...Depois vou...tomar cuidado!

O garoto tomou o café, e acabou se deliciando com um bolo de fubá. Quando deu por si, saiu apressado,  para o quarto, arrumou a cama, deu uma ajeitada no quarto, foi se arrumando, botando calção, chuteiras e “vapt-vupt”, já na porta,  saindo e desabalada carreira.
Se não fosse sua mãe, já estaria chutando a bola:

- Vá escovar os dentes e pentear seu cabelo. Não se esqueça de lavar o rosto. Foi dessa maneira, que o Pedrinho, viu que sua mãe estava atrasando as suas brincadeiras.
Pronto! E saiu numa pernada só!  

Assim foi passando as horas. Uma rápida parada para o almoço, engolindo tão ligeiro que se perguntássemos o que havia comido, com certeza não saberia responder.
Lá estava ele, de novo, jogando bola, correndo, subindo em árvores para pegar uma fruta. Essa delícia de comer uma mexerica na árvore, é muito mais gostoso.  E, ainda tinha tempo para correr atrás das galinhas. As gargalhadas ecoavam pelos campos e a alegria contaminava toda a paisagem do sítio.
Assim passou o dia, entre subidas de árvores, chupando mimosa, jogando bola e de vez em quando, indo até a cozinha para “roubar” uma fatia de bolo de fubá.

Uma leve brisa começou e convidou Pedrinho, já cansado pelas tantas atividades, a descansar embaixo de uma frondosa figueira.
Ficou olhando o  céu pintado de azul,  servia de fundo de palco para o balé  das aves, as vezes sozinhas, outras vezes em bandos que davam todo o ar da graça daquele momento.  
A brisa aumentou os sopros de vento fazendo movimentar as folhas das árvores. 
Pedrinho foi encostando a cabeça num tronco de uma raiz e deixou-se estirar sobre a relva. 

Olhava absorto para o azul celeste do céu, agora rabiscado por nichos brancos transformando-os nos mais imaginativos desenhos: ora pequenos carneiros, ora cavalos alados que saltitavam os maços de algodão branco.
O vento aumentava, mas o menino estava embalado na sua criatividade.
As nuvens já disputavam com o sol o espaço celestial, e se desenhavam em figuras maiores e mais agitadas. O branco foi dando lugar aos tons cinza.    




Não foi difícil construir um castelo de nuvens, com altas torres... e o garoto continuava dando asas ao imaginário: dragões viravam soldados, pipas, fadas, carros e carroças...! 



 Os raios de sol pintavam as nuvens brancas que contrastava com o anil, e dava contorno dourado as nuvens acinzentada.
O tempo estava mudando!  
Esse turbilhão espacial criava um cenário de cores imaginativas.  
Pedrinho estava mergulhado na sua inspiração e criava a esses movimentos, uma estória.
Vibrava! E, como um maestro, regia as suas concepções. 

Ele tomou das nuvens rosa, brancas e douradas e foi desenhando uma princesa.  Fantasiou delicadamente o seu rosto. Fez surgir-lhe sobre a cabeça uma coroa formada pelos raios de sol, cujos reflexos deram a existência de esvoaçantes cabelos dourados.
O vento aumentava e sua criação também e num repente foi quebrada pelo chamar de  sua mãe:

- Pedrinho! Pedrinho! Venha imediatamente para a casa. O céu está escurecendo e vamos ter um temporal! Corra!

O menino correu para casa, sob alguns pingos de chuva que já começavam a cair. Foi direto ao seu quarto. Deitou-se próximo à janela, numa grande e fofa almofada e novamente se entregou às suas criações e aventuras imaginárias. Fitava, admirado aquele céu escuro, tempestuoso.
As nuvens agora, mais agitadas, continuavam suas danças imaginativas naquele céu cinza e branco.
Pedrinho voltou à sua imaginação... e foi desenhando sua estória.

  Construindo uma estória de fadas

O céu escurecia cada vez mais e o castelo ia sumindo no movimento incessante das nuvens. Pedrinho sabia que a sua  princesa já havia entrado no castelo.
O menino desenhava nas nuvens cinzentas adornadas pelos raios dourados do sol, os Cavaleiros do Sol. Eram destemidos, armados de lanças e de escudos na cor do ouro, galopavam em cavalos brancos, rapidamente, em direção ao sol levantando uma poeira de chuvas que respingava na janela. 


Pedrinho se deliciava. A chuva aumentava e a tempestade formava nuvens escuras. Ouvia-se o ribombar de trovões. 

Pedrinho cria Os templários, cavaleiros que montavam em cavalos negros com olhos vermelhos e quando trotavam, as ferraduras de prata rasgavam as nuvens provocando explosões de relâmpagos e estrondos ensurdecedores.
Os Cavaleiros do Céu, montados nos seus cavalos brancos com grandes manchas cinzas  montavam guarda à porta do sol.
Os cavaleiros Templários, com seus negros cavalos avançam ferozmente contra os Cavaleiros do  Céu. 


As nuvens brancas, cinzentas e escuras se misturavam num movimento alucinante.
E, quase como um delírio, o menino continua a sua estória...

Ao se encontrarem, olham-se com ódio. Os seus cavalos eriçam seus pelos, bufam ferozmente e suas patas, com ferraduras de prata, rasgam as nuvens, iluminando o céu com rajadas de  relâmpagos.
Os destemidos cavaleiros desembainham as espadas e uma luta desembestada é iniciada.  A luta é mortal e as espadas cortam o céu.  As armaduras se chocam provocando raios que caem ao longe, rasgando o ar. 
Os cavaleiros do sol são mortalmente feridos com as espadas dos Templários e tombam nas negras nuvens desencantando em grossas gotas d’água que deságua sobre a terra, já molhada, numa chuva torrencial.  


Um raio corta o ceú, assustando Pedrinho.

Pedrinho adormece sob suas imaginações!
Talvez tenha dado às suas aventuras aos seus sonhos...

Mas, aí é outra história!

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Poesia: A Noite Mágica

A noite Mágica

Talvez você não tenha percebido,
Mas naquela noite de lua cheia,
No encontro dos rios Iguaçu e Paraná,
A magia se fazia presente,
Pirilampos e estrelas iluminavam o lugar.
As águas corriam,
Debruçavam-se nas margens, e
Delicadamente encontravam-se
Numa coloração prateada:
Dois gigantes e caudalosos rios
Naquele momento serenos,
De pouca percepção,
Lutavam entre si.
Era a luta do coração com a razão!
A lua, enamorando a saudade,
Queria trazer notícias do aquém mares.
Mas a desafiadora serpente,
Da cabeça pensante,
Em sua rigidez corporal,
Sufocava o grito do amor maternal.
Até as pedras perderam a aspereza,
Naquelas águas correntes,
E no aroma que se perdia no ar.
As feiticeiras e bruxas,
Sacis e gnomos,
Bailavam ao som das cigarras,
Saltitando entre as estrelas,
Desenhavam no quadro negro da noite.
Corações avermelhados,
Palavras adocicadas de lembranças,
Entremeadas de pingos de fel,
Da saudade ardente.
A fada do perdão se fez presente,
Chamou a cálida compaixão
E deixaram-se embalar
Na valsa sublime da absolvição.
Dos olhos mareados,
Surge uma lagrima.
A Natureza para pedir perdão...
 lágrima paira no encontro dos rios, e
Letras de ouro são escritas no céu:
Filho, obrigado por ter nascido!
O silêncio se cala,
Somem os entes da magia,
Um sorriso se prende aos lábios.
As estrelas voltam a tilintar,

E a noite se faz na alegria do luar.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

UM SONHO DA NOVA REPÚBLICA

Tancredo Neves é eleito


Quando Tancredo Neves foi eleito em 15 de janeiro de 1985. Eleição indireta. A partir desse momento,  o Brasil vestiu-se de esperança e toda a população brasileira começou a desenhar as suas expectativas sonhadas durante décadas. Talvez relembrando a época de Juscelino Kubistchek, ou de outros tempos, quando haviam depositado esperança para com novos dias.
A verdade que Tancredo representava um novo Brasil, jamais imaginado. Era um novo período, uma nova História que marcaria para sempre a realização do “País do Futuro”.
Era chegada a hora! A euforia era estampada no rosto de cada cidadão! Era como uma Nação que precisava  limpar a sua própria casa, tirar o pó da ditadura, varrer a sujeira dos porões das torturas e da censura. Quem sabe até dar nova pintura às paredes corroídas de desesperanças. Tudo para esperar os primeiros dias dos novos dias.

Foi com esse espírito que um jornalista e escritor, cearense, João Ciro Saraiva de Oliveira (falecido em 27/06/2015), que estava à frente da Secretaria de Comunicação do Estado do Ceará, idealizou um encontro de secretários de comunicação do Brasil para discutir novos conceitos de comunicação social, uma vez que os governadores, tinham sido recém-eleitos (1983), de forma direta, após 20 anos de eleições indiretas.
O objetivo era dar nova imagem a linguagem dos releases outrora palacianos e impositivos. Transformar esse importante canal informativo do governo para população, expondo as atividades executivas e os resultados dos atos e ações promovidas pelo governo e não mais pelo governador e sua equipe. Era uma proposta para o fim do personalismo e da imposição de notícias fabricadas e induzidas à imprensa.  
O I Encontro de Secretários de Comunicação Social, foi realizado em Fortaleza, em julho de 1984, com a participação de representantes de 17 estados brasileiros.

Revivendo um pouco de História

Vamos imaginar esse período transitório da ditadura para a democracia. Em 1979, assume o General João Baptista de Oliveira Figueiredo, o último presidente do período militar, sucessor do General Ernesto Geisel (Presidente de 1974 a 1979).  
O Presidente Figueiredo deu continuidade a abertura política que havia sido iniciada no governo anterior. No entanto, foi no seu governo que houve o atentado a bomba no Riocentro e atentados terroristas ao PMDB e à OAB, todos de origem da extrema direita do Exército.    Apesar de ter orientado o Senado para a rejeição das “Diretas Já”, o Presidente Figueiredo promoveu a extinção do bipartidarismo e a eleição direta para governadores, em 1983. Essa eleição marca o começo do fim do período ditatorial. No entanto, a eleição para Presidente da República, continuaria pelo sistema indireto. No dia 15 de janeiro de 1985, foi eleito pelo Colégio Eleitoral (Senado e Câmara) o senhor TANCREDO DE ALMEIDA NEVES, com 480 votos contra 180 votos dados a Paulo Maluf (este candidato do governo).
Com essa última eleição de voto indireto realizada no Brasil, encerra-se o período da ditadura militar. O Presidente João Figueiredo, atesta o encerramento com a seguinte frase histórica:
- “Bom, o povo, o povão que poderá me escutar, será talvez os 70% de brasileiros que estão apoiando o Tancredo. Então desejo que eles tenham razão, que o doutor Tancredo consiga fazer um bom governo para eles. E que me esqueçam".

A posse do Doutor Tancredo Neves, assim era chamado, na Presidência da República, seria no dia 15 de março de 1985.
Tudo era feito com muito cuidado, para que Tancredo assumisse a Presidência. O Brasil se preparava para uma grande festa. Autoridades do mundo inteiro já se encontravam no solo brasileiro.
Na véspera de sua posse, adoece e é hospitalizado...
            A população freneticamente fica com os olhos grudados na televisão – querem uma notícia de esperança.
Incertezas, medos, desconfianças e esperança. O Brasil para!

O II Encontro de Secretários de Comunicação Social


No meio destas incertezas, vivia-se a esperança de que Tancredo sobreviveria.
            Essa certeza dá o aval ao Secretário de Comunicação Social do Paraná, para que o II Encontro de Secretários de Comunicação Social fosse realizado. O Secretário de Estado da Comunicação Social do Paraná,  Luiz Alberto Dalcanale, entendia que agindo assim estaria não só acreditando na recuperação do Presidente eleito, como também estaria colaborando com propostas a uma nova visão do relacionamento imprensa, governo e população. Pois participariam daquele Encontro além dos Secretários de Comunicação de todos os Estados brasileiros, como também alguns dos principais jornalistas da imprensa nacional.
Sob a esperança de novos tempos e sob a égide da Nova República, foi realizado o II Encontro de Secretários de Comunicação Social, nos dias 23 a 28  de março de 1985, na cidade de Foz do Iguaçu.

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A partir desta semana, estarei publicando, neste blog, em forma de capítulos, os anais do 
II Encontro de Secretários de Comunicação Social.
Entendo que assim o fazendo, recuperamos parte de uma História que não pode ser apagada, pois é um momento onde a LIBERDADE DE IMPRENSA é focada de maneira transparente e torna-se um legado, pois era um sonho que até então jamais aconteceria. A “Carta de Foz do Iguaçu”, propositura e resumo do evento assinado pelos participantes, dá a certeza de “Um Sonho da Nova República.  

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O FRIO CURITIBANO

Anoiteceu e eu caminhando nos caminhos da noite.
Olho as estrelas, que sorriem,
Mas se calam no silêncio frio das calçadas curitibanas.
Não há vultos e as árvores parecem esqueletos dançantes
Ao ritmo do vento cortante e gélido.
As almas estão escondidas e as palavras nem mais sussurram...
A solidão é a única companheira dos passos apressados, sem destino, sem rumo.
As luzes dos postes se envolvem numa neblina
E se transformam em lamparinas do passado,
Que mal iluminam a sombra, arqueada pelo sobretudo corroído pelo tempo.
Escuto ao longe os sinos de uma igreja,
Cujas badaladas ecoam ao nada e nada é a esperança.
Mais uma travessia, numa desunião de calçadas, 
Separadas pela rua de pedras. 
Rua ligando dois pontos infinitos perdidos na imensidão do lugar nenhum.
Chego ao tempo onde não queria chegar.
Encorajo-me e subo os degraus rangentes.
São três, donde imagino uma escadaria de cem.
A porta me detém. Torço e retorço imóvel empurra-me ao desdém.
Venço-a e desmaio no sono que temia em acordar.
Novamente reviro e um acolchoado acaricia o corpo,
Durmo suavemente, sem o frio do pesadelo gelado!


AO SAIR DE CASA, LEVE UM AGASALHO EXTRA,
COM CERTEZA ENCONTRARÁ ALGUÉM QUE ESTEJA NECESSITANDO. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

"O PRIMEIRO TEXTO A GENTE NUNCA ESQUECE!"

Sentado confortavelmente numa poltrona giratória, frente a minha máquina de escrever Olivetti Linea 98, meu orgulho, invejado por muitos, que adquiri com muito trabalho. Noites adentro, datilografando textos, crônicas e, linhas e linhas para o meu editor.

Só eu sei que quando começava a datilografar,  

e "puft" o pensamento não saia como queria
e lá ia o papel para o lixo.
E, começava tudo de novo...escrevia,
amassava o papel e jogava
na cesta de lixo.
Há um momento, que parece tudo dar certo!
É um repente, e o texto realmente era aquilo que se tinha imaginado.
Agora, era a vez das correções, assinala aqui, acola, faltou um ponto, uma vírgula, a palavra saiu errada. Arruma aqui, faz-se as correções com lápis e pronto, a correção está feita!
Coloca o papel em branco na máquina de escrever e com as pontas dos dedos datilografa-se, novamente, o texto tinindo, sem nenhum erro, do jeito que tinha-se imaginado.
Agora não pode ter mais nada, nenhuma correção, senão, melhor nem pensar, porque vai “pro” lixo de novo. 
Enfim, a matéria ficou pronta, várias folhas bem datilografadas – e pensar que esta palavra um dia irá sair do vocabulário...
Reviso novamente. Tudo pronto. Arrumo as folhas datilografadas e coloco-as ao lado da máquina de escrever Olivetti Linea 98.
Respiro! Mereço um café, ora se mereço!
Perco-me nos pensamentos e vou à cozinha preparar o café. 
Fico imaginando o editor, esparramado naquela poltrona de couro preta, desgastada pelo tempo, com chiados a cada seu movimento, no meio de pilhas de papeis sobre a mesa, folheando cada página do meu texto.
Fico pensando naquele ar com cheiro de charuto disputando o aroma de um café frio esquecido numa caneca de louça, azul, com uma gravação em vermelho: "O Chefe Tem Sempre Razão". 
A lembrança fez com que continuasse meus devaneios. Estava satisfeito com o meu trabalho e pretendia entrega-lo ainda pela manhã e dessa forma poderei desfrutar o resto do dia. 
Talvez, passando numa confeitaria, onde degustaria um delicioso café colonial, com uma torta alemã e gostosos petiscos.
Enfim meu café ficou pronto. Peguei a xícara com ele bem quente, saí da cozinha e fui calmamente andando em direção ao escritório. Assobiando e feliz!
Já bem próximo da escrivaninha, tropecei... O café voou da xícara e aterrissou-se sobre aqueles, exatamente, os meus escritos.

Num sobressalto levantei-me.
E aos poucos fui me situando do que havia acontecido.
Voltei meu pensamento ao passado, quando exatamente havia acontecido o mesmo acidente: tropecei naquele mesmo tapete, o café que havia acabado de fazer, voou sobre o meu trabalho. Acabou com ele! 
Quase enlouqueci!
Em cima da escrivaninha, já não estava mais a minha Olivetti Linea 98, mas o meu “Laptop” conectado a uma impressora.
Respirei! E, a primeira coisa que fiz, foi me desfazer o velho tapete, jogando-o fora.
Limpei os estragos e arremessei os papeis ao lixo.  
Fui até a cozinha coloquei o café na xícara e retornei ao escritório calmamente.
Sentei-me na minha velha poltrona e acionei “Control P” para reimprimir o trabalho.


Tomei meu café...