Quem sou eu - Nasci em São Paulo, e adotei Curitiba desde criança, pois adoro esta cidade.

domingo, 12 de maio de 2019

Homenagem à minha Mãe

     
A Última Despedida

O mar docemente veio acariciando as cinzas
Emoldurado pelo azul do céu levemente acinzentado.
Nem ele, o céu, sabia como se apresentar.
Mas a suavidade do vento pousou na música do tempo
Misturando-se ao soar das ondas do mar.
Tudo parou para homenagear
Quem sempre tinha homenageado o mar.
A janela transformou-se numa moldura...
Não mais ali estava a senhora de Santos,
Partira na saudade e agora
Voltava para o mar.
Se fez silêncio na vida
A vida vibrou vida
O sorriso se fez Vida,
A natureza se fez sorriso!

E foi assim que minha mãe partiu!

EPrugner

sábado, 11 de maio de 2019

Um dia

Um dia...
Inicia a madrugada do um dia,
Aos poucos as luzes da cidade vão se apagando,
Para dar lugar a um novo espetáculo:
O amanhecer!

O colorido é diferente,
O ardor do Sol vai aquecendo os corações
E há uma explosão de contentamento:
A pura alegria do VIVER.

As tintas que haviam sido traçadas
Pelos pinceis de cada momento da vida,
Tornam-se cores mais vivas
Que vão contornando os longos
Caminhos que todos terão que percorrer!

Por certo haverão obstáculos.
Mas o sorriso, para quem já o tens!
As vitórias dos tempos passados,
Serão as benesses das conquistas do futuro.

Brinda sempre com a taça do vencedor
Este teu dia será abençoado
E deixa-se envolver pela Felicidade
Porque ela lhe será eterna.

                                       E.Prugner

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

MÃE, O SER SAGRADO


MÃE, O SER SAGRADO


Um pequeno papel, de um laboratório, que a princípio nada diz. Poucas cores, duas ou talvez três, dobrado.
As mãos ansiosas, até mesmo na incerteza, a princípio o receoso de desdobrar aquele papel. A coragem não falta, e num rompante abre o dobrado e um grito preso na garganta ecoa no Universo e lágrimas rolam pela face: está ali a prova, vai ser mãe!
À minha nora, no dia de sua aniversário, 16 de janeiro de 2019.

Embalar a vida,
Como se a própria vida
Estivesse nas mãos!
Carinhosamente afagar a pele
Da própria barriga,
E ele, já se sentido senhor ou senhora de si!
Movimenta-se em modos
Como a dizer: obrigada mamãe!
O som de uma música suave,
O cantar com a voz maternal,
Transporta o neném ao mundo dos sonhos.
A mamãe também adormece
Imagina o rostinho dessa criatura,
E se embala em sonhos
Desenhando o mais brilhante dos futuros.
Sucedem-se exames, ecos e
A tranquilidade do “tudo está bem”!
Numa dessas aventuras de ir a laboratórios
E exames em consultórios,
Uma nova emoção:
O nenê é uma MENINA!
A alegria invade a alma,
O sorriso mistura-se com as lágrimas
Abraça a si mesma,
E baixinho fala num tom delicado:
- Olá minha filhinha!

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

O BUEIRO

           O Bueiro

  Chove torrencialmente em um bairro qualquer de São Paulo.
  Eu, numa casa de construção antiga, em meio a edifícios, sem nada a fazer, escolho a varanda onde posso ser acolhido e me deleitar vendo o aguaceiro, sem que a água da chuva venha a me molhar. 
  É exatamente neste lugar, que fico observando o intenso movimento de veículos e o frenético som das buzinas, transformando o silêncio num ensurdecedor barulho. Nem mesmo o som da chuva, tantas vezes relaxante e que tanto gosto de ouvir, é silenciado pelo tocar incessante daquelas cornetas sem escrúpulos.   
  Me acomodo numa confortável cadeira de palha, com almofadas macias. Na realidade, uma poltrona, também antiga, que foi dos meus tios avós e que hoje acompanham a arquitetura da casa. 
  Meus olhos tornam-se levemente pesados, e num espreguiçar longo e delicioso imagino em cochilar.  
  Mas qual, percebo ser impossível conciliar o sono com aquele tráfego desordenado e barulhento. 
  Começo a prestar atenção na água da chuva que cai e se espalha num corre-corre tresloucado como se quisesse fugir dos pneus pretos, sujos e sustentadores dos mais simples aos mais arrojados veículos, agora, em marcha lenta. Mas insistem em ondular as águas e por vezes, numa demonstração de pouca cidadania, espirram um jato de água em algum caminhante desavisado. 
  Porém, aquela chuva vai se transformando num córrego, que vindo dos céus, continua célere em seu caminho, pouco se importando em transportar, em seu dorso, os resíduos da poluição que teve como autor o próprio homem. 
  Não demorou muito para que aquele córrego, viesse a se transformar num pequeno riacho, mas, sempre seguindo uma mesma direção, como se buscasse um abrigo. Na verdade, procurando um oceano ou mesmo um rio onde pudesse desaguar na amplitude que só ele, aquele riacho de chuva pudesse imaginar. 
  Enfim, acha um buraco, um bueiro, entre ferros enferrujados, grades como uma janela de prisão, separando a água dos dejetos poluidores e se prostra naquela abertura apertada, e vai sendo sugado, bem verdade aos poucos, para seguir um caminho desconhecido. 
  Medito!
  Aquela sucessão de imagens me conduz a um mundo novo, desconhecido. Como se estivesse numa cápsula de tempo, gravitando numa escuridão entre estrelas; encontro-me perdido no espaço!
  Nos meus pensamentos surgem imagens de crianças, jovens e adultos, segurando em uma de suas mãos, um pequeno aparelho que determina um futuro imediato e que caminham por estradas sem que eu pudesse visualizar o destino.
  Dou asas aos meus pensamentos e continuo a meditar...
  Não existe mais o tempo, tudo é ligeiro, rápido, porém individual e quando assim não o é, surge alguém ou talvez um androide, que importa...
  No entanto, como uma grade de bueiro, separa riquezas do passado, como o hábito de ler, momentos de conversas, de observar a natureza, de até mesmo de esportes, de um mundo eletrônico onde jogos em terceira dimensão aprisiona aquela gente numa interrogação: aonde é que vamos?


domingo, 8 de abril de 2018

O Trasatlântico

O dia é especial, pessoas foram convidadas e há uma grande expectativa.
Há músicas e a emoção marca o momento.
O ritual é iniciado, palavras são ditas e a champanhe sela a cerimônia.
O transatlântico inicia a sua história.
Garboso, imponente, expandindo alegria e felicidade.
Senhor de si, singra os mares,
A cada porto, em cada cidade se mostra todo poderoso.
É o único e como tal nada lhe tira a sua potência.
Por vezes as tempestades açoitam seu casco
As enfrenta e as vence,
Acalmando aqueles aos quais transporta.
Suavemente corta as ondas e realiza viagens maravilhosas,
Trazendo para bordo bagagens marcantes e abundantes.
Na sua trajetória pelas águas mantém a serenidade,
Não lhe falta a criatividade para apresentar diferentes espetáculos.
Tudo é belo.
O tempo vai passando, mal percebido.
Os primeiros sinais de ferrugem vão lhe sinalizando,
E o gigante dos mares vai se tornando despercebido.
Novos navios chegam, trazem novidades.
A velocidade e o tamanho parecem impressionar,
Impressionam!
O transatlântico, antes rei dos mares,
Já não singra os mares com toda a imponência,
A agilidade e a destreza vão perdendo o brilho.
Pouco ele representa,
Até a sua história já não comove aqueles que transportava,
Que aos poucos vão em busca das novas atrações.
Os trajetos agora são curtos e ao chegar a cada porto
Se defronta com aqueles que lhe tiraram o reinado.
Suas cores que antes eram brilhantes,
Se apagam e se misturam as marcas da ferrugem.
Recorda seus tempos de glória, mal se passaram 20 anos.
Mas lhe surge uma esperança, talvez novas mudanças
Poderão lhe trazer a alegria de singrar novamente os mares
Levando a bordo a felicidade para seus passageiros. //


Eduardo, 08 de abril de 2018..

quarta-feira, 14 de março de 2018

Projeto de Vida

O grande desafio surgiu quando, como lição de casa, tinha que escrever sobre os meus sonhos e o meu projeto de vida.
Realmente comecei a embarcar nas mais diversas formas de sonhos. Ora me locupletava com projetos de vida baseados em pensamentos novelescos, ora tremia em imaginar que não tinha imaginação para criar pelo menos um projeto de vida.
Alguma vez, com certeza, você se deparou com uma situação dessas: você sabe que pode, mas não tem ideia de como é este poder.
E a todo instante esta proposta martelava a minha cabeça.
Senti-me como um jovem de segundo grau deparando com o maior problema de sua existência: o que vou ser quando crescer?
Naquele momento queria ser o bombeiro que, quando criança, sonhei em ser!
Pronto, aí estaria resolvido o meu questionamento!
É claro que quando se pensa, aprende.
A primeira lição começa a desenhar-se nas lógicas da matemática da existência: para se fazer um projeto é preciso sonhar...
Pronto!  E agora?
Estava tratando da queda de uma maçã para provar a lei da gravidade e me deparei com uma melancia despencando na minha cabeça.   
Sonhar...! Neste momento uma música invade a minha mente. Alguma coisa de magia, sons gnósticos, sinos e sinetes numa aura de paz e tranqüilidade.
Para dar asas aos sonhos precisamos ter os princípios da entrega e do desprendimento. 
Falar de sonhos, de projeto de vida, tem que antes que conhecer a sua missão.
Esse é o segredo inquestionável despregado de todas as premissas do que quero ser amanhã, ou melhor, do que vou ser amanhã.
As empresas parecem ter descoberto o valor e a importância da MISSÃO. Pode-se ver, em muitas delas, aquele quadrinho de vidro, pendurado, normalmente na sala da diretoria, com letras garrafais: “A nossa missão...”.
Quanto mais dão importância a esta frase mais endeusada ela é, mais resultados lhe parecem favoráveis.
Da presunção dos grandes sonhos, sentia que tinha a necessidade de mergulhar na humildade do meu próprio ser para desvendar a minha missão.
Atiro-me às estrelas e entrego-me ao encanto do adormecer.
Amanheço em plena ressaca de uma noite mal dormida. Minha cabeça lateja, não de dor, mas pela busca da chave que talvez vá abrir todas as portas.
Como será que São Francisco de Assis sentiu a força de sua missão?
Sonhava em ser santo? Ou talvez um religioso?
- Não acredito, pois acho que pensar em ser santo deve dar tudo errado e sonhar em ser um religioso seria muito pouco para o São Chico.
E se o seu sonho fosse encontrar Deus através dos animais?
Não seria esta a sua missão?
Os animais se aproximam daquele homem equilibrado, portanto centrado, muito feliz e cheio de paz!
Ele, motivado pela sua missão, respeitando suas próprias habilidades que são realimentadas pela sua autoconfiança, na crença que lhe da força, Francisco desfruta do convívio com os animais e encontra o seu Deus. E, sonha os seus sonhos na construção do seu plano de vida.
Chaplin, o eterno vagabundo, faz de seu personagem um alento aos sofrimentos íntimos do ser humano. Aquela figura frágil, maltrapilha e humilhada no seu dia a dia, levava uma mensagem tão forte que destruía os poderosos e fazia com que o povo sentisse o esplendor mágico da lágrima e sorriso que os conduzia a momentos sublimes da Felicidade. Charles Chaplin fez e ganhou dinheiro e em nenhum instante prostituiu a sua missão.
Absorto nas reflexões vou dando asas à imaginação, e a criatividade vai garimpando caminhos diferentes do passado para criar o futuro.
Percebi que cada momento foi talhado de forma distinta e que nos tempos de prosperidade a motivação era mais inovadora.
A missão tem que ser direta, firme, curta e de fácil entendimento. Nela reside a os fundamentos da vida, ou melhor, do ser. Não é criada. É descoberta!
Falar da missão é dialogar com o espírito criador, onde o tempo é inexistente do principio ao fim.
Caí no existencialismo profundo.
Quando acordei, me vi num banco de um grande parque. Pessoas corriam, andavam, conversavam e pedalavam suas bicicletas.
O gramado verde misturava-se com árvores e nesse bucólico quadro, um lago prateado espelhava o mundo ao seu redor. Eram prédios, flores, árvores, gente e pássaros que mareavam aos embalos de pequenas ondas provocadas pela brisa do prenúncio do anoitecer.
Curto esse momento!
Meus pensamentos acompanham uma pipa que quer galgar os céus, mas está ligada ao infante da terra. Vôo com ela.
Interessante a força do pensamento, pois estou sentindo a brisa tocar o meu rosto e o ar sussurrar em meus ouvidos. Estou voando!
A tarde se despede e o lago se veste do avermelhado pôr do sol empavesado de tiaras douradas.
Meu olhar se fixa no turbilhão de cores encarnadas e meu cérebro ferve à sinfônica do entardecer.
Vou balbuciando algumas palavras sem nexo.... E dou um grito:
- eu provoco as mudanças nas histórias das pessoas pelo relacionamento interpessoal, transmitido pelas palavras.
É isso, através desta minha habilidade, eu me relaciono com pessoas e nesses encontros acontecem as mudanças na vida de cada uma delas e na minha também.
Vou fitando o lago, que vai escurecendo e as águas tranquilas vão deixando manchar-se pelas luzes da cidade.
Tomo o meu caminho e misturo-me com as pessoas que correm, andam, conversam e pedalam naquele parque....
Aos quase setenta e dois anos retomo a minha missão para sonhar os sonhos de novos projetos de vida.
Assim o projeto começa a ser desenhado com palavras, cujo título também poderá ser inspirado em sonhos, ou talvez num blog ou mesmo em páginas de um livro.

Eduardo Prugner

quinta-feira, 8 de março de 2018

Quero ver mais que uma Mulher

“Quero ver mais que uma Mulher” –
poesia que escrevi para minha esposa
em homenagem ao Dia da Mulher!

Quero ver mais que uma mulher,
Pulsando o coração no peito
Sentindo a imensidão do seu ser,
Na doação do mais puro amor.

Quero ver mais que uma mulher,
Mostrando o brilho nos olhos,
Trazendo nas profundezas da alma,
A verdadeira mensagem da Vida.

Quero ver mais que uma mulher,
A companheira de todos os tempos,
De todos os momentos,
Construindo sonhos que sonhamos juntos.

Quero ver mais que uma mulher,
A sublime mãe acolhedora
Indicando o verdadeiro futuro,
Aos nossos dois maravilhosos filhos.

Quero ver mais que uma mulher,
Muito além do conhecimento,
Sua competência transformando o toque
Na integração da existência.

Quero ver mais que uma mulher,
Sentido suas mãos nas minhas mãos
No caminhar da esperança,
Na pureza de sua grandeza.

Mas também quero te ver mulher,
Vendo a sua beleza,
Sorrindo com os seus olhos,
Ouvindo de seus lábios palavras de amor.