Quem sou eu - Nasci em São Paulo, e adotei Curitiba desde criança, pois adoro esta cidade.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

A Vida é muito Bela

A Vida é muito bela

Que tempo fazia, 
Que importa, 
Uma estrada me levava,
Ora subida ou descida
Ora reta ou sinuosa, 
A verdade é que me transportava
Entre montanhas, vales e florestas
Ao encontro de um passado.
Na bagagem uma história de vida
De alegrias e tristezas,
De sonhos e de encontros, 
Dos ideais e dos desencontros, 

Buscava minhas raízes.
Nas confabulações das mais diversas,
Podia chamar as lagrimas de espinhos,
Que outrora me feriram;
Ou talvez a plenitude da paz trazida n´alma. 
Onde sorrisos brotavam no peito aberto.

De repente, 

Um brilho surge no inesperado
Provocam encontro de olhares 
Para a velocidade do tempo,
O passado é o presente no momento
E o encanto dos contos e dos encontros,
As mãos dadas no caminhar da estrada
O coração ri e entrega-se 
Entre sorrisos e gargalhadas
Já não há saudade daquele tempo!
As palavras ditas carinhosamente
Afagam o espirito,
Sentindo a emoção, 
Esconde-se as lagrimas!
A juventude aflora e o passado já não mais existe!
Vive-se a intensa harmonia do amanhã e do hoje,
Saudamos a vida, o momento é o agora!
Reverenciamos o viver:


A vida é muito bela!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A BORBOLETA DO JARDIM

Que dia quente!
Arrastando-se sobre um galho de árvore, a lagarta sentia aquele calor, mesmo escondendo-se entre as folhas verdes de uma árvores na primavera.

Aquele animal, na verdade um inseto estranho, corpo coberto de pelos eriçados, duas antenas curtas e pontiagudas, cercavam os pequenos olhos saltados, que mal serviam para alguma coisa, porque só percebiam a luz.

Se não bastasse o seu aspecto repugnante, uma boca esfomeada, devoram incessantemente as folhas largas e verdes das árvores e plantas, deixando as marcas da sua voracidade.

O seu caminhar esquisito, feito por seis pares de patas articuladas, arrastando parte do corpo num vai e vem, avançando um trecho à frente e novamente contraindo, movimentando de forma desengonçada para alcançar alguns centímetros. É como se estivéssemos vendo uma mola engripada. 

Mesmo asquerosa, as lagartas tem um colorido especial. Essa tem listras amarelas e pretas sobre um corpo branco, sobressaindo pelos pretos como uma miríade de pequenas lanças ameaçadoras. Mas também existem outras, com cores diferentes, com manchas multicores sobre um corpúsculo cilíndrico.   

Que nome vamos dar a essa nossa personagem? Eu por mim não daria nome nenhum e sairia correndo, porque aquele bicho, apesar de pequeno é assustador! Comentou uma jovem, que durante uma aula de biologia, veio olhar com muita curiosidade aquele inseto excêntrico. Mas, mostrando medo, manteve  uma certa distância daquele galho. 

Seu José, jardineiro de tantos anos, recomendava aos alunos que estavam naquele jardim:- "não se aproximem e muito menos coloquem as mãos numa lagarta, é muito perigoso e pode causar sérias queimaduras". 

A dona lagarta, já que ninguém havia dado um nome, não parava de comer. Abria aquela enorme bocarra, desproporcional ao corpo, e zás... mais uma folha mordida! Não havia folha que não tivesse uma marca daquela esfomeada! 

Mas, num determinado momento ela parou de comer, como se o mundo todo tivesse parado........Torceu sua cabeça para cima, como estivesse olhando o céu e percebeu o voo de uma bela borboleta com asas alaranjadas.   
Torceu a cabeça para outro lado, e os seus seis pequenos olhos buscavam a algazarra das crianças brincando no gramado. Sabia-se que as lagartas não enxergavam, mas acredito que essa, além de enxergar, bem, escutava aquelas meninas e meninos correndo pelos jardins, no meio das flores, seguindo outras borboletas.

Um sentimento diferente passou pela cabeça daquela lagarta. Imaginou flores coloridas e as brincadeiras infantis...
Pasmada entregou-se àquela cena que imaginara e pensou – (será que lagarta pensa?): “Como gostaria de ser uma borboleta, voando entre as flores, brincando com as crianças, num corre-corre, subindo e descendo, sentindo que elas não fugiriam mais apavoradas”.

O inseto da ordem dos Lepidópteros ficou perdido em seus pensamentos e continuou comendo!

Os dias foram passando...

Um dia, acordou e já não queria comer nenhuma folhinha. Não tinha vontade de andar.  Estava sentindo alguma coisa, mas não sabia bem o que, uma esquisitice só. Sua pele estava mudando e sentiu que queria ficar só, no silêncio, com vontade de fazer um casulo em sua volta: - era a pupa.
Sonolenta e como uma ágil bordadeira, passou a tecer o seu próprio casulo. Ela não sabia, mas estava se transformando. A pupa dormia...
Acontecia o que os cientistas chamam de metamorfose. A pupa estava virando crisálida.
Passaram-se dias e semanas! Um tempo sem tempo...

Enfim acordou e intrigante devido a escuridão e o local apertado que se encontrava, percebeu que seu corpo havia mudado. Na realidade, já não sabia o que era. 
Sentia pernas, mas mal conseguia mexê-las, tinha antenas mais compridas, seus olhos diferentes e:
- Meu Deus, minha boca virou um canudinho! Ai, que fome! Assim que o animalzinho se manifestou ao sentir que já não tinha uma enorme bocarra.

“Tenho que sair daqui”, pensou, depois de perceber-se enrolada em alguma coisa que pareciam delicadas escamas.
Uma força interna se manifestou e intuitivamente tentou romper as paredes de onde se encontrava. Fez uma pequena abertura e um facho de luz adentrou naquele minúsculo ambiente. Aí teve a consciência de que tudo havia mudado.

Como se ainda quisesse compreender aquelas mudanças e ter a certeza de que estava sob controle de tudo, olhou pela fresta e teve o sentimento do belo ao observar o gramado verde abaixo e o contorno dos jardins que lhe eram comum.


Sorriu se é que com aquela boca poderia sorrir, mesmo atinando que estava pendurada no galho de sua árvore, onde comera tantas folhas.
Novamente a fome apertou e sentia-se enfraquecida: “Puxa, que fome!”
Tinha que se libertar; a liberdade era a sua vida!

Respirou fundo, tomou de todas as suas forças e com movimentos cadenciados e fortes foi rompendo o invólucro que a envolvia. Conseguiu colocar sua cabeça para fora:
- Ah, as flores! Flores? Naquele momento deu uma vontade imensa de voar, de estar junto com as flores, no meio delas e tinha certeza que ali estava o seu alimento.

Redobrou suas forças e num esforço descomunal conseguiu sair. É bem verdade que um líquido viçoso que envolvia seu corpo, auxiliou-a a ficar livre do casulo.

Rompeu e esqueceu o passado!

Olhou-se e descobriu que finíssimas membranas escondiam-se no seu tórax.  Contraiu seu corpo e um fluxo de sangue percorreu todo o seu organismo e um belo par de asas se abriu num lindo colorido que refletia os raios do sol e deixava passar as tênues cores do arco-íris.
Empinou-se, mantendo suas asas abertas sob o sol, corpo esguio, sentiu-se graciosa e como bailarina, ensaiou alguns passos e atirou-se ao ar.

Bailava ao sabor do vento, apreciava o céu e tinha consigo a liberdade, a imensidão de um mundo que desejava conhecer. 

Não havia limites, mas recobrou a consciência do cansaço e da fome que as emoções a desviaram, e deixou-se flutuar em uma flor. Suas asas tocaram as delicadas pétalas de cetim róseo, relaxou e sentiu o divino aroma do néctar – sugou-o de maneira meiga e com sutileza.

A felicidade invadiu todo o seu ser e descobriu, enfim, que agora  era uma linda borboleta colorida.

Assim, nessa alegria de vida foi de flor em flor, levando em suas patinhas o pólen para gerar mais flores.

Sentia-se uma menina moça. Passava a todo instante por uma pequenina lagoa, para se ver refletida a sua bela imagem.

Uma borboleta! Pensava. Uma borboleta com asas coloridas, como os arco-íris do céu, com pequenos desenhos entre contornos de filetes dourados.

Senhora de si, brincava com as crianças, fazendo cirandas, brincando de esconde – esconde.


Tinha a felicidade estampada no seu pequeno rosto, que se faziam brilhar em seus olhinhos. Apaixonou-se e pode assim se preparar para dar um novo ciclo de vida: botando ovos, que se transformariam em larvas, em pupa e depois em borboleta...

Será que surgiria uma outra borboleta mais bonita que essa?




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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

As duas Vidas de Severina

Severina era uma moça bonita, cor de jambo, bem tratada e mantinha sempre suas faces rosadas. Seus olhos grandes e esverdeados contrastavam com seu rosto de linhas retangulares. Seus lábios grossos davam uma graça quando sorria. Cabelos negros e compridos emolduravam o rosto.
Havia estudado até a 4ª. Série, graças ao empenho da professora Maria das Graças, que fez com que ela terminasse os estudos básicos. Isto porque a professora era casada com o delegado Justino, que ameaçava prender o pai da moça caso não deixasse ela estudar. Era óbvio que Justino agia assim por causa da pressão da esposa. 
Severina era recatada e sonhadora. Vivia em Cachoeira, um pequeno povoado do agreste pernambucano. Diferente de outras moças, Severina não plantava e nem colhia nas terras secas, áridas e já quase sem vida, e muito menos sabia ordenhar uma vaca. Ela se cuidava, por isso sua pele não sofria os maus tratos do sol esturricante.
Nas festas juninas, botava o vestido de chita, que era o mais bonito e feito por sua madrinha. Dançava graciosamente como ninguém por isso era sempre escolhida a rainha da festa. Não parava um só minuto de dançar, pois tanto em Caruaru quanto ali, os moços só queriam saber de dançar com ela.
Isso provocava ciúmes nas outras meninas. Certa vez, uma de suas amigas, ou melhor, conhecidas, avançou sobre ela e se não fosse o pessoal “do deixa disso”, a ciumenta teria estragado o seu vestido.
As moças sonhavam, não tanto quanto Severina, mas sonhavam principalmente sair da seca, da terra seca, poeirenta e sem vida, da pobreza e do feijão com farinha, quando tinha. Sempre que essas meninas podiam, iam a Caruaru, principalmente nos dias de feira, quando centenas de pessoas se amontoavam para comprar roupas, principalmente jeans. Aí elas desejavam achar um homem bonito, de outras bandas, que as levassem para longe dos seus pesadelos. 
A desgraça nunca vem sozinha. Na ânsia de arrumar um companheiro, se entregavam às promessas falsas. Logo descobriam que estavam “embarrigadas” e que o homem das promessas sumira. Quando a família descobria as colocava no olho da rua, e sem ter para onde ir, porque até a igreja lhes fechava as portas, iam para outra cidade, Caruaru ou Recife e caíam na vida.  
Severina já não! Sonhava, mas sabia o que queria, e o seu desejo era viver numa cidade grande. Nada de ficar dançando a Mazurca dos quilombolas ou trabalhando na loja de comércio do seu tio e padrinho. Não, ela quer ir longe, distante do sertão. Pensava em São Paulo ou até mesmo no tal Rio de Janeiro. Ela via nas revistas que chegavam na venda.
A moça tinha completado 21 anos e durante alguns meses foi guardando dinheiro e comprando roupas na feira da cidade vizinha. Pegou o ônibus, passou a noite, e em Recife entrou num avião (o padrinho tinha lhe dado as passagens). Assim iniciou sua aventura!
Ela escolheu o Rio de Janeiro, porque queria conhecer o mar, - “que coisa louca, quanta água, que cor de céu que nunca tinha visto”, isso falava Severina, estupefata só de ver as fotos.
...
Severina tremia mais que vara verde em dia de vento. Olhava tudo desconfiada e com muito receio.

A atendente da companhia aérea, percebendo o nervosismo da moça, acompanhou-a até a porta do avião. A aeromoça a conduziu até o seu assento, botou-lhe o cinto, o que a fez tremer mais ainda, e disse para ficar tranquila. 
Era muita gente e muitas poltronas, todas chiques. Uma porção de pessoas ocupando seus lugares, conversando e algumas até dormindo. A porta fechou. Um barulho ensurdecedor lá fora e o “bicho” vai se movimentando.  Uma voz vinda de algum alto-falante diz uma porção de coisas enquanto a aeromoça mostra o que fazer em caso de emergência. – “Virge, alguma coisa vai dar errado...!” .
Severina olha pela janela. O avião corre e num sacolejar sai do solo, e... - ”ele tá voando!” Ela começa a ficar meio zonza, as mãos suando e a pessoa do lado, um senhor de meia idade, lhe pergunta se é a primeira vez que está voando. A moça diz sim com a cabeça e a pessoa lhe diz para não ter medo.
Vem a aeromoça e lhe entrega uma bandeja com sanduiche, pergunta se quer suco ou refrigerante, ela pede um suco. Adormeceu...
Quando acordou o avião já estava descendo, e pode rapidamente ver a extensão do mar e a quantidade de prédios, ruas movimentadas... Realmente era uma grande cidade que se perdia no horizonte e nos morros. 
Desceu do avião atordoada, e na realidade não sabia direito aonde estava e para onde deveria ir.  Conforme algumas instruções da professora Maria das Graças, Severina deveria ir para casa de uns parentes dela. Tudo estava escrito direitinho e bem detalhado como chegaria nesta casa.
A recomendação era pegar o ônibus 2018, do aeroporto ao terminal, e fazer tudo de acordo com o roteiro.
Severina sentou-se na janela e ficou maravilhada com o cenário que estava vendo: avenidas cheias de carros, prédios, praia, até um porto, cheio de navios (que nunca tinha visto). Seus olhos arregalados não tiravam o olhar da janela.
Ao final da tarde chegou ao seu destino. Estava extasiada, nunca imaginou que poderia ver tantas coisas bonitas e cheias de surpresa. A casa dos parentes era simples e de poucos cômodos, mas muito maior do que a casa em que vivia, e mais bonita. A dona da casa, Iracema, uma senhora de meia idade, cabelos esbranquiçados, corpo avantajado, veio receber a moça. Iracema, era prima em segundo grau da professora, e logo foi fazendo uma porção de perguntas. Cema, como gostava de ser chamada, tinha 2 filhas, uma quase da idade de Severina e um rapaz, o filho mais velho.
Foi-lhe indicado o local onde ficaria, no quarto das moças. Dormiu e sonhou...
Assim foram passando os dias, ela se acostumando, conversando com as moças, descobrindo as entranhas daquela cidade maravilhosa. Desviando dos olhares dos rapazes, sentiu a necessidade de ter dinheiro e foi procurar emprego. As meninas da Iracema disseram que ela usasse um nome mais curto e fácil de guardar. Foi assim que passou a chamar-se Mina.
Começou procurando nas lojinhas do bairro, afinal tinha um pouco de experiência conquistada no comércio do tio.
Assim passaram-se dias e nada de emprego. Tentou outras opções, como balconista em supermercados, e nada.
Mina já estava ficando desanimada, quando numa conversa com Cema resolveu ser empregada doméstica. A Maria das Graças tinha lhe ensinado o básico da educação e agora sua prima estava ensinado o que ela tinha que fazer como uma empregada. Procurou uma agência de empregos, que após fazer um questionário sem fim, explicou seus deveres e benefícios. A moça gostou do que ouviu e ficou animada.
Após uma semana e nenhuma notícia de emprego, quando estava ficando desanimada, recebeu um recado da agência que tinham lhe arranjado um serviço.  
Era uma segunda-feira ensolarada, quente, e Mina foi feliz a caminho do primeiro emprego.
A casa em que trabalhava tinha 9 cômodos, ali moravam a dona Margareth, as crianças Leonardo e Isabela e o seu Luciano,  o que deixava Severina bastante ocupada. Quando chegava em casa não queria saber de outra coisa a não ser descansar.
Tudo estava indo bem, recebeu o primeiro salário – “nossa nunca tinha visto tanto dinheiro”! A dona Margareth perdeu o emprego e Severina também.
Não demorou muito, arranjou um novo emprego.  Nesse novo emprego, mal havia passado duas semanas começou a ser assediada pelo dono da casa, de tal forma que teve que se afastar do serviço.
E é a partir daí que Mina tudo começa a mudar.
Parecia sina, mas esse fato começava a se repetir mais e mais vezes nos outros empregos. Se não era o patrão, era o filho mais velho, o tio, e sabe lá...
Além de bonita, Mina tinha uma voz levemente grave, e gostava de cantar.  A moça resolveu aprender a tocar violão. Aos finais de semana, embaixo de uma árvore, buscando uma brisa para se refrescar do calor imenso, costumava cantar a tarde toda, ao som do violão que havia comprado numa casa de móveis e utensílios usados.
Um dia Mina viu na televisão uma entrevista com uma jovem que “virou” homem. Falava de uma moça que cortou o cabelo e passou a se vestir como homem, vivia feliz, ainda fazia sucesso e tinha fãs em todo o Brasil. 
Mina ficou impressionada, cortou o cabelo bem curto e todos os dias se olhava no espelho e adorava o seu novo visual. E a entrevista não saia da sua cabeça.
Comprou uma calça, uma camiseta, botou um tênis e saiu a noite vestida de homem, sem que ninguém da casa visse. Começou até olhar para algumas jovens, recebia troca de olhares e entre os homens era totalmente desapercebida(o).
Continuava a trabalhar como empregada e se por ventura se sentisse assediada falava com sua voz meio grossa e assim afastava qualquer um que lhe importunasse.  Trabalhando e saindo a noite daquele jeito, Mina gostava de seu novo tipo, e bastou mais uma reportagem para mudar de vez a sua vida. A matéria sobre os sucessos de Drag Kings nos Estados Unidos. São mulheres que se vestem e agem como homem, incorporando um personagem do sexo masculino.
Muito aplicada e dedicada, Mina começou a estudar cada história daquela reportagem e a cantar as mesmas músicas. No início foi difícil por causa do inglês, mas foi aprendendo, treinando e ensaiando o que não demorou muito para dominar as músicas.
A moça tinha conseguido guardar um bom dinheiro e resolveu ir morar sozinha. Antes disso conversou com a Regina, filha mais velha da Cema, que tinha uma boa cabeça e com certeza iria entender os planos da jovem.
Regina não só entendeu, como deu alguns conselhos e disse que tinha um amigo que poderia ajudá-la no seu projeto.
Mina não perdeu tempo, foi procurar o amigo que a aconselhou que ela fosse morar mais próximo do centro do Rio de janeiro. Mudou! Ele virou o seu produtor e empresário. Em menos de seis meses a jovem estava pronta e fez a sua primeira apresentação. O que já no primeiro dia causou uma sensação na noite carioca.
Apesar das feições, Mina adotou um nome artístico, Christian Hart, em homenagem a reportagem e porque só cantava músicas em inglês. Decidiu que faria um Drag King bem masculino, maquiando uma barba rente ao rosto, sem exageros na caracterização, deixando a camisa branca semiaberta graças aos seus pequenos seios, calças de um tecido brilhante, botas e cintos chamativos. Forçava sua voz no tom rouco, levemente grave, o que aumentava essa sensação.
Após a primeira noite, a casa noturna sempre cheia e muitos convites para novas apresentações.  
O sucesso a levou para São Paulo, muitos shows e dali ... 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

As Marcas do Tempo


Talvez não perceba o tempo que passou,
Mas que importa!
Nesse tempo passaram pessoas,
E com elas as vidas se fizeram presentes.
Umas te abraçaram, afagaram teu coração,
Outras deixaram saudades,
Ainda houveram aquelas que te machucaram.

Mas todas foram sementes de um novo dia!

Foi dessa forma que construiu o seu caminho,
Bem verdade com flores.
Também tiveram espinhos, que te feriram,
Mas soube seguir...

O horizonte desponta para os fortes!

A suavidade do amanhecer se fez presente,
Com o cinzel da Esperança foi talhando
O seu rumo.
Dormiu menina acordou senhora!

Senhora dona do seu próprio destino!

Olhou para tempo, realmente se passou.
Desviou o olhar para sua frente,
O Sol brilhou!
Um novo mundo se descortinara,

Era o  mundo que ela mesma criou!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Menino Passarinho




Sou menino passarinho, 
Voando nas lembranças
Entre emoções de canções,
Mergulhado em notas musicais.
Era um violão, um pequeno espaço,
Meu coração sem saber 
Saltitava de emoções.                                   
A música me envolvia, 
Fitava a musa e, 
Me embebia de felicidade, 
Só por olhar aos seus olhos. 
Eles pousavam nas notas
E sua voz envolvia o meu corpo.
Minha alma bailava no espaço do amor.
  
Era menino passarinho
Flutuando no espaço,
Brincando com a vida, 
Continuava bailando com a estrelas
Quando trocávamos o olhar.
Sentia a felicidade brotar 
Em cada ponto do meu corpo.

Não me atrevia fechar os olhos
Envolvia-me cada vez mais no canto,
Voava no espaço de sonhos
Como uma pipa, 
Bailando aos seus delicados movimentos
ligado pelo fio da sua voz.

Sorri ao som e a vida
Sentindo as notas do amor.
Você era real 
E eu, um menino passarinho!

domingo, 31 de dezembro de 2017

O Último Natal em Família



A viagem parecia mais longa do que deveria. A ansiedade aumentava, os batimentos cardíacos dispararam. O aeroporto do destino ainda estava longe de se aproximar, faltava algumas horas para aterrissar. Cada minuto, naquele momento, era uma eternidade.
Sentia medo! 
Wolff, que poderia ser José, ou um nome qualquer, era um brasileiro que foi convocado para o Haiti. A princípio achou que seria uma missão difícil, mas jamais imaginaria que a morte do espírito seria maior que a morte corporal.
Sim, era assim que sentia...
No início a saudade da casa, dos filhos, da esposa. Que aumentava e corroía seu coração! Já não bastava escrever no WhatsApp declarações de amor, ver fotos, e dizer de sua paixão. Os filhos cresciam, já não mais crianças, buscavam seus novos rumos. Eram ótimos meninos!
Sua esposa, uma jovem senhora, linda, dedicada às suas atividades. Era lutadora e ia de encontro dos seus ideais. Ele havia conhecido, fizeram amizade e como num conto de novela, casaram. Foram tempos de construção e amor, momentos mágicos, momentos difíceis, sorrisos e sonhos.
Já não sabe como estão os seus sentimentos, e a dúvida lhe traz mais angústia, desespero e medo.
Wolff foi fechando os olhos, um calafrio percorreu o seu corpo e imagens foram martelando sua cabeça.
A guerra de Haiti invadia seus pensamentos, trocando as cenas do lar, pelas cenas de destruição, de sangue e como numa guerra, o barulho ensurdecedor de metralhadoras e de balas perdidas zumbindo por sua cabeça. Crianças mortas, esfomeadas, comendo ratos e gafanhotos no meio de esgotos céu aberto. 
Haiti, após o terremoto virou uma terra de ninguém e grupos armados do submundo do crime disputavam cada palmo de favelas fedorentas, verdadeiros guetos sem nenhuma higiene, entre barracas toscas e animais apodrecendo. 
Cada dia que amanhecia era reviver o seu próprio dia. Assaltos e assassinatos faziam parte do cotidiano. 
Após o terremoto que arrasou todo o país, a capital Porto Príncipe ficou totalmente destruída, sem nenhuma expectativa de esperança ou mesmo da reconstrução daquilo que estava destruído. Em vez disso,  se vêem os sub-humanos que vivem neste inferno, os sobreviventes de uma tragédia que cada dia se  amplia, onde a morte está presente na fome e nas doenças. Não há mais vida!
Wolff suava, agitava-se, falava palavras sem nexo.  Sua roupa foi ficando encharcada. Foi preciso que o médico de bordo lhe aplicasse um relaxante.
Foi adormecendo, mas tinha ainda a consciência de que este pesadelo, marcado nas suas entranhas, aos poucos ficariam escondidos na sua mente e a certeza de que esses fatos ele não veria de novo.
Precisava chegar em casa, mas ao mesmo tempo livrar-se dos tormentos e das angústias sobre o seu relacionamento.
Recomposto pelo relaxante, começa a imaginar sua chegada e logo se dá conta, que estará chegando às vésperas do Natal. Dá asas aos seus pensamentos e vem a lembrança da reuniões de família com muitas festas, que aconteciam nessa época do ano. Sabia que iriam se repetir e junto com as alegrias, a curiosidade dos parentes o bombardeariam com centenas de perguntas.
Wolff se arruma, sabendo que caberá de agora em diante mostrar um novo comportamento, num cenário de paz e confiança, pois se assim não o fizer, aquele Natal, poderá ser o primeiro e o último Natal em família.  
Os procedimentos de aterrissagem são iniciados.
...
É chegado o momento, as portas da aeronave são abertas, próximo a escada do avião, familiares aguardam ansiosamente aqueles  passageiros especiais...

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Pensamentos & Reflexões

 * Não sou um mendigo do amor, mas vivo dele.

* Nunca perca a oportunidade de falar à pessoa que você ama,

  que você a ama.

* Deixe seu sorriso na face, para que não se transforme em lágrimas.


* Uma alma sozinha é uma alma morta.


* Quando chegar a terceira idade, não se imagine velho, 

  viva intensamente a vida.

* Não deixe para o minuto seguinte, o arrependimento e o perdão,

  pode ser que já seja tarde.

* Viva a Natureza, pois é ali que  Deus pode estar escondido.


* Jamais deixe de demonstrar seus sentimentos.


* Se você acha que Deus não está em você, 

  é porque já está dentro de você.

* Não importa como seja ou foram seus pais, simplesmente os louve e    agradeça, 
pois eles lhe deram o que você tem de mais precioso: a    vida.

                                                                                                       Eduardo Prugner